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quinta-feira, novembro 03, 2005

Os demoníacos "atos" brasileiros.

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Costumam dizer que o diabo é o diabo, não por ser mau, mas por ser velho.
Uma premissa que se encaixa como uma luva no Brasil, onde os "atos de velhacaria" são bem piores do que quaisquer "maus brasileiros" que os pratiquem. Enquanto estes últimos algum dia partirão, de uma maneira ou de outra, os primeiros costumam ficar confortavelmente entre nós.
Os piores demônios do Brasil são, portanto, os "atos" e não as pessoas que os praticam.
Em verdade alguns "maus atos" são praticados de maneira tão impune, comum e disseminada em nosso país, que chega a ser injusto culpar a qualquer um que o pratique, pois qualquer brasileiro, eventualmente e em igual oportunidade, se sentiria também confortável em repeti-los.
No Brasil, a culpa e a responsabilidade chegam a ser "ocasionais", por dependerem da "ocasião" e não do agente, já que qualquer outro faria igual diante da mesma oportunidade e também não poderia, portanto, ser culpado e condenado. Como culpar a alguém por algo que todos fariam? De que adianta perseguir pessoas?
Uma enquete comprovaria tais fatos: Pergunte a qualquer brasileiro comum se não receberia também, de bom grado, um mensalão? Qual seria o percentual que responderia sim?
O resultado da enquete mostraria o nível de compreensão do ilícito da população e do seu comprometimento em combatê-lo.
De nada adianta, portanto, eliminar os eventuais maus dos cargos públicos e até mesmo de toda uma geração, se os próximos que os sucederem também encontrarem e praticarem como "normais e toleráveis", os mesmos atos, práticas e vícios.
A impunidade e a corrupção, como chamam alguns, ou a "tolerância ao crime dos poderosos" e o "jeitinho para ganhar um troco", como melhor identificam outros, são exemplos de atos que se enraizaram nos costumes brasileiros.
Não sejamos hipócritas. São velhos demônios. E continuarão a assombrar o Brasil, a não ser que tais demônios, os atos, sejam prevenidos, corrigidos, condenados e desincentivados, com rigor e sem exceção.
Do jeito que está, não há como um ladrão (criminoso vítima da necessidade) não veja vantagem também em roubar, assim como muitos líderes de sucesso (criminosos sócios da ilicita oportunidade).
Diga-se que a única diferença entre ambos, é que o ladrão comum precisa pegar numa arma para chegar próximo do dinheiro.
No final, quem são os demônios? As pessoas ou os atos, que vêm se tornando "velhos" exemplos?