quarta-feira, setembro 21, 2005

A apuração da corrupção na cidade de São Paulo

Na véspera (06/09) do dia da pátria (7 de setembro), uma data emblemática para qualquer nação, este cidadão apresentou MOÇÃO PELA APURAÇÃO DA CORRUPÇÃO NA CIDADE DE SÃO PAULO.
O pleito cidadão foi encaminhado a milhares de autoridades do país.
O silêncio foi sepulcral, com exceção de um Senador (Romeu Tuma - JT 16/09), alguns parlamentares federais e ONGs que democraticamente se manifestaram a favor.
Informa este cidadão que a referida MOÇÃO foi levada a registro perante o 7.o Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo, onde foi depositada e microfilmada sob n.o. 1424855 na data de 09/09/2005.
Que fique claro: este cidadão assina o que escreve e escreve o que pensa. E registra para que ninguém diga que não assinou e para que não possa negar aquilo que democraticamente pensa e escreveu. Pena que não haja tempo para escrever mais!
Espera este cidadão que o ALERTA REGISTRADO sirva de apoio para nossos políticos de mãos limpas. Também espera a cidadania que o ALERTA inspire os demais a mudar de idéia.
De qualquer maneira, que fique patente: Este cidadão fez sua parte, ALERTOU. Está registrado.
A cidadania não descansa ou se intimida, apenas espera ...
A cada vez que as CPIs chegam perto de elementos concernentes a políticas e políticos da cidade de São Paulo, os "gatos se arrepiam" ...
Este blog se alimenta de sacrifício e abnegação. A indignação é o resultado democrático da indigestão cívica.

Pergunta do dia

Não seria prudente que as autoridades brasileiras checassem as listas da CPI do BANESTADO, anteriormente a escolher novas lideranças?
Este blog tem a honra de informar os seus humildes patrocinadores:
Civismo
Coragem
Persistência
Esforço
e o principal de todos ...
Carinho.
Ah... Que vontade que tenho de ver um capitalismo de verdade no Brasil.
Sem regalias e sem o conforto dos ombros do Rei.

A importância da reforma do SBDC

A reforma do Sistema brasileiro da concorrência é tema do interesse de toda a sociedade brasileira, embora pareça um assunto técnico e distante.
O CADE e a SDE nos últimos anos tomaram decisões relevantes que impactaram aos mercados em geral e a todos os consumidores brasileiros.
É essencial que a sociedade participe ativamente do debate da reforma, em especial as pequenas e médias empresas, que são as que usualmente perdem espaço econômico, sempre que o SBDC decide por aprovar eficiências e concentrações de mercado, sob o argumento de serem supostamente benéficas.
Não se esqueçam os brasileiros que pagam a conta: o SBDC é um grande instrumento a dar ao Brasil "Mercados eficientes por preços justos", ou o contrário.
Em tempos em que a política, incensada pelo melhores pareceres, parece influenciar de maneira pouco transparente, a todas as esferas públicas nacionais, especialmente as que tratam de aspectos regulatórios com impactos privados e, em tempos em que o guloso Governo aprova qualquer intenção que aumente o volume e a a facilidade de arrecadação tributária, é imprescindível que a sociedade brasileira acompanhe a reforma de perto.
Participe, portanto. Acompanhe o PL 5.877/2005.
Para não reclamar depois: das decisões politicas das autoridades, dos impostos que pagarão, da falta de oportunidades para o crescimento das pequenas e médias empresas no Brasil e do preço dos produtos e serviços conseqüentes às chancelas de V. majestade, o governo brasileiro.

terça-feira, setembro 20, 2005

A reforma do Sistema Brasileiro da Concorrência

Acabo de receber e-mail do advogado e colega de OAB/SP, o Dr. Gerardo Figueiredo, sobre a reforma do Sistema Brasileiro da Concorrência.
A correspondência eletrônica do ilustre colega esmiuça o andamento do importante tema:
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"Foi criada a Comissão Especial (CESP) para analisar o Projeto de Lei (PL) 5877/05, de autoria do Poder Executivo, que “estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência e dispõe sobre a prevenção e repressão às infrações contra a ordem econômica e dá outras providências”.
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Objetivo do projeto:
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O projeto visa reestruturar o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC), que será formado pelo CADE e pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE), revogando dispositivos da Lei nº 8.884, de 1994 (Lei de Defesa da Concorrência).
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Composição da CESP:
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A CESP será composta por deputados que integram as Comissões de Defesa do Consumidor (CDC), de Trabalho (CTASP), de Desenvolvimento Econômico (CDEIC), de Finanças e Tributação (CFT) e de Constituição e Justiça (CCJC). Os membros da CESP deverão ser indicados pelos líderes partidários.
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Competências da CESP:
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Caberá a Comissão emitir parecer quanto ao mérito, adequação orçamentária e quanto à constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa da proposição. É importante ressaltar que o relator da CESP poderá emitir um texto substitutivo, que além de alterar a proposta original, poderá incorporar matéria que julgue pertinente.
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Tramitação:
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A CESP terá 40 sessões do plenário da Câmara dos Deputados para emitir e apreciar o parecer do relator ao projeto. Próximos passos: Após indicação dos membros que comporão a CESP, o presidente da Câmara dos Deputados marcará data para instalação da CESP, que deverá eleger o presidente, que indicará o relator, e os 3 vice-presidentes. Após deliberação na CESP, o projeto seguirá ao Plenário da Câmara dos Deputados, onde será analisado pelos deputados. Sendo aprovado, o projeto será remetido ao Senado Federal.
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Depoimentos vazios II

Infelizmente, Toninho da Barcelona deve ter sido amansado.
E muitos devem estar comemorando ...
Mais um capítulo de final feliz para poucos, às custas do povo brasileiro.

Depoimentos vazios: Toninho da Barcelona

Até o momento (12:46) Toninha da Barcelona em seu depoimento na CPI só faltou dizer que operava em Marte, já que não conhece ninguém nem operou para ninguém.
O dinheiro pelo qual foi preso devia ser composto por dólares marcianos.

O cigarro e a covardia das autoridades brasileiras.

Em notícia de pé da folha, no meio do caderno Cotidiano do Jornal Folha de São Paulo (pag. C7), saiu nesta terça-feira 20/09, uma denúncia de que alguns senadores estariam protelando a ratificação de uma convenção das Nações Unidas para controle do tabaco no mundo.
É curioso o enfrentamento público do tabagismo no Brasil. Até parece que fumar faz bem!
Os jornais dificilmente dão notoriedade a um assunto tão grave, os políticos sobem no muro e nossos Tribunais não condenam.
É uma hipocrisia geral! Digna de qualquer republiqueta controlada por lobbies com objetivos mundanos, usualmente "justificados" por elucubrações econômicas que jamais serão comprovadas.
É indiscutível. Fumar faz mal. O cigarro ceifa vidas e destrói a união familiar. A venda de cigarros afeta seriamente à saúde pública, que gasta bilhões para o tratamento de seus doentes. Nenhum imposto "arrecadado" compensa o mal e nenhuma produção de fumo recorde ou exportadora justifica economicamente a "torpeza" de seus efeitos sócio-econômicos.
Destaque-se que as instituções brasileiras estão sendo covardes a enfrentar condignamente o tema, ao condescender com o fumo.
Este cidadão clama pela cidadania brasileira a corajosamente combater o abuso público em sustentar o vício privado.
Pergunta do dia:
Nas próximas eleições, em quais palanques subirá Roberto Jefferson?
Enquanto a sociedade suportar que autoridades e réus jantem juntos no Brasil, este país não terá ética ou respeito por seu povo.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Roberto Jefferson, sempre um pugilista, ainda que nocauteado.

Quem imaginou que Roberto Jefferson "cassado" se calaria ou estaria longe da mídia se enganou.
No programa "Roda Viva"deste domingo, o agora ex-Deputado continuou a apresentar elementos sanguinolentos e tecer críticas vorazes.
Disse, dentre outras, que o "Poder Econômico é quem manda no Brasil desde o Governo Collor" e que "os velhinhos não têm a menor chance no Governo e nas políticas públicas, diante do poder dos Bancos e da Febraban".
E mais, que os "esquemas de corrupção vêm da área dos Fundos, dos Transportes e da Coleta de Lixo". Quando comentou sobre a política econômica, só faltou chamar a todos nós de autistas !
Deve a cidadania se ater ao fato de que Roberto Jefferson deve saber do que está falando, pois foi um oráculo de toda a podridão que está sendo apurada.
Tomara que a população cobre a apuração total das fraudes e não se satisfaça com a punição de meia dúzia de Deputados, que não representam nada perto do que deve estar escondido nas gavetas mais profundas e nos computadores melhor blindados.

A deposição do lixo da cidade de São Paulo - Um problema, no mínimo, estadual.

Considerando que acabei de postar sobre o "Movimento Lixão + 1, não!", que combate a instalação de outro lixão na cidade de São Paulo, aproveito o tema para tecer alguns comentários e apresentar sugestões:
a) O volume de lixo produzido atualmente pela megalópole de São Paulo já não pode mais ser tratado como um problema municipal, meramente local. Em qualquer lugar da grande São Paulo que a PMSP deseje depositar resíduos, ocasionará impacto socioambiental com escala estadual, o que implica dizer que o problema é no mínimo do Estado, por obviamente atingir municipios limítrofes.
b) Existia, algum tempo atrás, um protocolo firmado entre a PMSP e a CETESB, que previa a deposição de resíduos em troca do tratamento do chorrume. Embora não se saiba da legalidade de tal "protocolo" e se ainda está em vigor, o documento já demonstrava a necessidade da atuação conjunta dos departamentos municipais e estaduais.
c) Cabe dizer que talvez o ideal seja depositar o lixo em algum lugar distante dos grandes centros urbanos, mas que ao mesmo tempo seja logística e legalmente viável. Devem existir dezenas de locais em cidades próximas, que talvez se interessem e sejam apropriadas para a deposição e o tratamento de resíduos.
d) O tema resíduos e aterros liga-se diretamente às questões de meio-ambiente. Sugere-se às autoridades que busquem o excelente trabalho acadêmico do Prof. Dr. André Lima, intitulado "Zoneamento Ecológico-Econômico e os Direitos Socioambientais". O Prof. André possui enfoques profundos e atualíssimos , é ligado a ONG ISA - Instituto Socioambiental (www.socioambiental.org) e seu extenso trabalho está em fase de publicação.
e) É necessário que o cidadão seja continuamente esclarecido e educado no tocante ao lixo que produz, devendo participar ativamente em sua redução. Embora pareça uma tarefa incômoda e malcheirosa, é uma providência cidadã.
Vejo várias convocações para panelaços e lutos de todos os tipos, em nome do Brasil.
Melhor seria que cada um de nós tivesse a bandeira brasileira em sua porta.
Patriotismo devemos ter todos os dias e não apenas quando precisamos gritar por ele.
Tudo neste blog é grátis.
Fazer o bem não tem preço.
Muitos brasileiros me perguntam:
Como posso fazer?
E eu respondo: Fazendo você também.
Pense nisso.

Caminhada cidadã



No último sábado, 17/09, aproximadamente 1.000 pessoas da região de Perus/SP (Movimento Lixão + 1, não!) realizaram caminhada pacífica contra a instalação de um Lixão na região.

Um abraço da cidadania




No fim da caminhada, a população deu um abraço simbólico na área onde a Prefeitura de São Paulo pretende instalar o polêmico aterro.

Um movimento cidadão - eclético e democrático




A união da cidadania extrapola os partidos políticos e os credos. E a cobrança de responsabilidade das autoridades se faz presente, pois se os problemas são de todos, eles são nossos e não dos outros.

O Brasil não pode parar, apesar do descaso de algumas autoridades.





Palavras de ordem foram proferidas contra o aterro, para alertar ao Prefeito e aos Vereadores de São Paulo, todos ausentes na ocasião ....
... apesar da gravidade da situação: um aterro sem planejamento adequado, sem aprovações prévias, sem audiências públicas e que poderá afetar toda a sua macro-região, atingindo até os municípios vizinhos.

Imagens são melhores do que qualquer discurso




Imagens do local onde prendem instalar o mega-aterro sanitário, com o Parque Anhanguera ao fundo. Será que esta é a maneira da Prefeitura de São Paulo proteger o meio ambiente?
E mais: o mapa da região noroeste de São Paulo, onde arbitrariamente desejam colocar o lixão.

sexta-feira, setembro 16, 2005

O Fundo de Interesses Difusos - um retrato da impunidade no Brasil

Pela Arrecadação "Oficial " do Fundo de Interesses Difusos (vide mensagem abaixo), pode ser medida a efetividade da lei e a eficácia do Poder Judiciário no Brasil, para a reparação dos danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, turístico, paisagístico, por infração à ordem econômica e a outros interesses difusos e coletivos.
Foram arrecadados apenas R$ 363.919,70 a título de CONDENAÇÕES JUDICIAIS (LEI Nº 7.347/85 - Meioambiente) e míseros R$ 1.134.911,07 pelas MULTAS DO ART. 57 DO CDC (LEI Nº 8.078/90). E ainda, por outras CONDENAÇÕES JUDICIAIS (LEI Nº 7.347/85 - Qualquer outro interesse difuso ou coletivo), um montante total (Códigos 10, 11 e 12) de R$ 61.475,80.
Os números são miseravelmente baixos, já que representam o resultado global dos esforços dos Ministérios Públicos do país inteiro em centenas de milhares de ações judiciais que desembocam nos Tribunais Superiores. Contra números, geralmente secam os argumentos.
Nunca é demais lembrar que o Poder Judiciário brasileiro custa em torno de R$ 20 bilhões ao ano.
Num momento em que o Brasil clama pelo fim da improbidade e da impunidade, os números são implacavelmente emblemáticos a demonstrar "empiricamente" o trato que vem sendo dado historicamente pelo Sistema Judicial brasileiro aos anseios de nossa Sociedade.
Como costumam dizer, que a história se repete, a não ser que algo tenha sido modificado, resultado parecido pode ser esperado pelo povo brasileiro, para a recuperação dos valores e para a punição dos eventos descortinados pelas CPIs.
As temidas "pizzas" são, portanto, empírica e logicamente prováveis.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Não esperem os brasileiros que alguém faça algo, que eles próprios não pretendem fazer.

domingo, setembro 11, 2005

CNJ - justiça e excepcionalidades em julgamento.

Aos homens de bem:
A todos os que se interessarem por uma justiça igual para todos, pela efetividade da lei, pela diminuição de iniqüidades e protelações no Poder Judiciário e muito mais, comunico ao final, a pauta do CNJ de 13/09/2005, que inclui em seu ítem 5, o julgamento pelo plenário do Pedido de Providências n.o. 20, que se origina de reclamação cívica deste cidadão que, em resumo, se insurgiu contra a teratologia e excepcionalidades do STJ, sempre que o excelso Tribunal impede a execução de sentenças de improbidade administrativa (de 2.o. grau) contra grandes empreiteiras, especialmente as de coleta de lixo e de obras superfaturadas na cidade de São Paulo.
O tema interessa a todos os brasileiros, ao povo e às empresas em geral, que não gozam de iguais privilégios, aos advogados, que não podem obter as mesmas vantagens para seus clientes, aos Ministérios Públicos do país inteiro e até aos Juízes, que após longos e exaustivos processos, não vêm seus esforços e sentenças prosperar e ser executados.
Ressalte-se também que o tema em julgamento no próximo dia 13, trata do combate frontal à improbidade administrativa no Brasil (nenhum assunto é mais atual e ansiado pelo país!) e à defesa e proteção dos direitos difusos e coletivos da sociedade brasileira, que caso fossem respeitados de maneira ostensiva e automática, especialmente pelas autoridades, haveria muito menos processos judiciais privados congestionando o poder judiciário.
Este cidadão informa que na ocasião, se for permitido pelo CNJ, deverá realizar sustentação oral em prol de seu pleito cívico e democrático, pela cidadania brasileira.
Ainda que esteja na Tribuna, humilde e solenemente "só", perante os mais ilustres juristas do país, que compõem o CNJ, não se furtará este cidadão a dizer a verdade em que acredita, pedindo a Deus que ilumine as mentes dos Conselheiros, para que decidam, ao final, dar um novo rumo ao direito no Brasil.
Informa este cidadão, finalmente, que não teme a derrota, já que esta é quem prepara a cidadania a ser, a cada dia mais, consciente dos problemas do país e, unida, a maior fiscalizadora do que pretendem nossas autoridades fazer a respeito.
Por um Brasil melhor, que enfrenta corajosa e democraticamente os seus problemas.
Por um país de todos, por todos e para todos.
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CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA
PAUTA DE JULGAMENTOS - 5ª SESSAO ORDINÁRIA

Por determinação do Presidente do Conselho Nacional de Justiça, Ministro Nelson Jobim, a Secretaria Geral torna pública a relação de assuntos e processos que serão apreciados em sessão plenária a ser realizada no dia 13 de setembro de 2005 (terça-feira), a partir das 14 horas.
...
5. PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS Nº 20/2005.
Relator: Conselheiro DOUGLAS RODRIGUES.
Requerente: Antônio Luís Guimarães de Álvares Otero.
Requerido: Superior Tribunal de Justiça – STJ.
Assunto: Observações para aprimoramento do Poder Judiciário.

sexta-feira, setembro 09, 2005

INÉDITO - AGORA É O TCU QUEM DIZ: BACEN DEVE RESPEITAR A LEI.

Este cidadão tem a honra dar ciência pública sobre o recente Acórdão n.º 1.301/2.005, proferido pelo TCU(Tribunal de Contas da União), em sua Sessão Extraordinária de Caráter Reservado, ocorrida em 24/08/2005.

O julgamento mencionado é ainda inédito e pode trazer grande contribuição à pacificação de temas polêmicos (BACEN X CDC , ADIN da CONSIF no STF, sigilo bancário, órgãos de restrição ao crédito, condutas bancárias e etc...), devendo ser de extremo interesse a advogados, associações consumeristas, órgãos de imprensa em geral e a imensa maioria da população e das empresas que consta em todos os tipos de cadastros, mesmo sem saber.

Diga-se, de passagem, que a decisão se origina de um Tribunal com competências peculiares e que possui o BACEN sob sua supervisão, o que a credencia a ser utilizada como paradigma em todas as lides e discussões privadas em que as Instituições Financeiras alegarem, por exemplo, estar agindo em obediência às normas do BACEN, para contornar direitos consumeristas e constitucionais.

O Acórdão do Tribunal de Contas faz relevantes recomendações ao BACEN - Banco Central do Brasil, sugerindo que modifique suas normas relativas à CRC - Central de Riscos de Crédito, para estabelecer que as Instituições financeiras comuniquem a seus clientes de todos os registros negativos feitos no Sistema que lhes forem pertinentes, alertando-os ainda para a possibilidade de eventual retificação. Também recomenda ao BACEN que estabeleça sanções para as instituições financeiras que descumpram as regras relativas à operação do sistema e que estude a possibilidade de informar aos clientes sobre os acessos anteriores ocorridos em seu cadastro e quais as instituições que os realizaram.

As sugestões do inédito Acórdão do TCU privilegiam a "transparência", evidenciam a "harmonia que deve haver entre normas legais e administrativas" e confirmam "indiretamente" a necessidade do respeito pelo BACEN ao CDC, ao dispor explicitamente sobre a obediência à regra constante do art. 43 do diploma consumerista, que é respeitada atualmente apenas pelos órgãos de restrição ao crédito (SERASA, SCPC, EQUIFAX, etc...) e não pelo BACEN, que alega estar operando um "Cadastro Positivo".

Para a consulta ao inteiro teor do documento (relatório + voto), basta acessar o link: https://contas.tcu.gov.br/portaltextual/PesquisaFormulario, escolher Tipo: Acórdãos, N.º do documento : 1301 e Ano: 2005. Na página seguinte, escolher o processo que foi julgado pelo Plenário e cujo Relator foi o Ministro Marcos Vinicios Vilaça. (Caso desejem, requisitem a cópia do julgamento por e-mail a este cidadão, que terá prazer em fornecê-la prontamente, em arquivo PDF).

Cabe destacar que embora o referido Acórdão esteja trazendo grande contribuição ao amparo de vários direitos constitucionais e consumeristas, ao abordar o funcionamento da CRC/BACEN, o mesmo deverá, ainda assim, receber recurso parcial, já que o decisum deixou de analisar diversas outras matérias diretamente relacionadas que compunham a mesma representação, que foi feita por este solitário e combativo cidadão brasileiro ao TCU, no longínquo ano de 2.003.

A título de curiosidade cabe finalmente informar que, dentre os temas incompreendidos pelos nobres Ministros do TCU em seu julgamento, estão os lançamentos da CRC que, por determinação do BACEN, em verdadeiro paradoxo contábil/fiscal e contratual/legal, sem fiscalização ou controle hábil, vêm a integrar as PDDs (provisões para devedores duvidosos) das Instituições financeiras e são utilizados concomitantemente na composição de seus resultados operacionais, o que determina em grande parte o seu recolhimento de impostos e o montante de seus lucros. Obs.: Alguns outros temas correlatos que não foram enfrentados pelo julgamento do TCU são a terceirização de serviços bancários, a quebra de sigilo generalizada, a ausência de fiscalização do BACEN, a remuneração aos bancos do que não lhes pertence e etc... .

Por um Brasil melhor, mais igual, onde todos ganham e não somente os bancos.
Por um país transparente, mais corajoso e verdadeiramente democrático ...
... de todos, por todos e para todos.

Comunicado escrito em 09/09/2005. Autorizada a publicação e a livre divulgação.

ACÓRDÃO 1.301/2005 TCU

terça-feira, setembro 06, 2005

MOÇÃO PELA APURAÇÃO DA CORRUPÇÃO NA CIDADE DE SÃO PAULO

Diante da atual realidade política nacional, propiciada pelas CPIs dos "Bingos", do "Mensalão" e dos "Correios" que estão diariamente nas TVs, nas rádios e na capa de todos os jornais, é indiscutível que o povo brasileiro vem amadurecendo com a crise, participando ativamente na fiscalização dos problemas brasileiros e não tolerando mais qualquer tipo de barganhas (pizzas).

Os resultados são emblemáticos.

A sociedade brasileira finalmente acordou e passou a freqüentar civicamente os palanques, contra a corrupção e pela legalidade. O Presidente está com seu mandato em risco e o legislativo se encontra em profunda depuração. Vários maus brasileiros estão sendo levados ao Banco dos Réus. O que, infelizmente, ainda é pouco, pois nossos políticos mais responsáveis ainda não encontraram a origem do dinheiro, as vantagens dadas a quem deu a dinheirama, as leis e os contratos públicos possibilitados pela pilhagem e, principalmente, as ramificações das fraudes.

A proteger o Presidente que “toca harpa dentre as chamas”, contra-argumentam alguns outrora aguerridos parlamentares, agora indulgentes, e outros fariseus neoliberais, que “o Brasil não pode parar”, “o Brasil precisa de reformas”, “devemos ter cuidado com a economia” e “a CPI tem que ter foco”, para tentar diminuir a crise, abafar a extensão dos escândalos e assim poder convencer a todos, leigos ou crédulos e até aos céticos.

Surpreendentemente, diante de uma verdadeira revanche do bem contra o mau no Brasil, a economia tem prosperado e a democracia se aprimorado como nunca, com as nossas Instituições sendo civicamente passadas a limpo, apesar de todos os aldraveiros e pagãos de plantão.

Em tal sentido, as CPIs têm ineditamente avançado na apuração de seus temas específicos tendo, ao mesmo tempo, levantado uma profusão de documentos e elementos de fraudes, conluios e corrupção, com origem nas mais diversas unidades da Federação, inclusos vários Estados e Municípios.

Dentre estes, destaca-se a cidade de São Paulo pelo número de vezes que vem sendo citada nas CPIs, por poder ser a “origem, base, ramificação e até mesmo a inteligência e a direção” dos mais variados ilícitos político-administrativos recém-descobertos no Brasil, como por exemplo: a concessão de serviços “acertados” na licitação, o “mensalão”, a participação direta de políticos e dirigentes partidários paulistanos, as campanhas políticas e as doações eleitorais não contabilizadas, o “caixa 2” e seus interesses privados nos contratos públicos, as campanhas publicitárias milionárias com o pagamento no exterior e a coincidente ausência das devidas prestações de contas de alguns partidos e candidatos.

Embora não se deseje aqui citar nomes, é indiscutível que muitos documentos e elementos de prova reunidos em Brasília remetem diretamente à cidade de São Paulo, onde se encontrava a sede do principal partido político investigado, os contratos e as operações de maior vulto e a grande maioria dos políticos e dirigentes partidários atualmente acusados de serem os “mentores” das fraudes perpetradas.

Pois bem. Talvez as CPIs do Congresso Nacional, apesar dos imorais foros privilegiados, do eterno sigilo dos maus e dos freqüentes jantares entre o capital e a política, até cheguem a cassar alguns parlamentares, o que é do absoluto interesse cívico, mas é improvável que vá muito além disso e é indiscutível que não apurará, em absoluto, as fraudes localmente implementadas na cidade de São Paulo, que poderá continuar sendo considerada como a origem de “esquemas” e quase conivente com a impunidade, já que hospeda vários dos meliantes integrantes das mais vergonhosas fraudes já desvendadas no Brasil, o que não pode ser aceito, em absoluto, pelo povo paulistano.

Ademais, caso tais fraudes realmente venham a ser comprovadas, o povo de São Paulo é aquele que poderá efetivamente se considerar como roubado e ludibriado, em seu dinheiro e dignidade, diante da inércia e do descaso de nossas autoridades.

Apesar das muitas conexões fraudulentas descobertas pelas CPIs (entre interesses privados escusos, dirigentes partidários, parlamentares e políticas públicas de cunho duvidoso) estarem ironicamente materializadas em posturas e contratos do Poder Público Municipal de São Paulo em “pleno vigor”, as autoridades paulistanas, até o presente momento, não se preocuparam em aproveitar os trabalhos e documentos levantados pelas CPIs, para apurar “localmente” a ilegalidade e imoralidade das concessões firmadas com algumas empresas de lixo e de transportes e dos contratos oriundos de “operações triangulares” com o Poder Público, como das agências de publicidade, de fornecedores de equipamentos e serviços e dos bancos citados nominalmente pelas CPIs.

De tal forma, os políticos paulistanos vêm displicentemente acompanhando as fraudes descobertas em Brasília, como se fossem distantes e alheias, como se eles estivessem em camarotes da platéia e não nas tribunas para as quais foram eleitos e como se os acertos fraudulentos e os contratos garantidos por “butins”, não estivessem sendo custeados direta e indiretamente pelo povo de São Paulo!

Com “cara de paisagem”, têm as autoridades do município ignorado solenemente as inúmeras ramificações fraudulentas desvendadas pelas CPIs, inclusive com documentos, e que podem, pasmem, estar “vigindo” abertamente na cidade de São Paulo, debaixo do nariz de nossas autoridades e para a tristeza, o custeio e a vergonha do povo paulistano.

Considerando que o Poder Judiciário é moroso e extremante influenciável pelo poder político, que o heróico MP depende de provocação e de elementos de prova de difícil obtenção e que a justiça no Brasil somente se torna satisfatória, quando impulsionada pela mídia e cobrada incansavelmente pela sociedade, vem, a cidadania paulistana, portanto, em razão da fremência dos fatos expostos, apresentar sua indignação e o seu requerimento cívico e expresso para a apuração imediata, pelas autoridades paulistanas, de todas as imoralidades e fraudes apontadas pelas CPIs do Congresso Nacional, como sendo oriundas ou ramificadas na cidade de São Paulo.

Em razão das disposições legais vigentes, a apuração ora proposta deverá se dar por uma “CPI da corrupção”, a ser criada e operada pela Câmara Municipal de São Paulo, para investigar e punir rigorosamente a corrupção na cidade de São Paulo, devendo para tanto, se utilizar e se socorrer de todos os elementos e documentos já em poder das CPIs em Brasília.

Nunca houve uma maior chance de se varrer, em definitivo, o lixo da cidade de São Paulo, transportando-o para longe, apagando-o dos computadores e impedindo-se que sejam cobradas tarifas, taxas e juros de empréstimos, consignados pela imoralidade!

É indiscutível que os depoimentos (inclusive confissões) e documentos conseguidos a partir dos esforços das CPIs federais (quebras de sigilos fiscais, telefônicos e bancários), podem ser de extrema valia para a apuração das fraudes de custeio paulistano.

Não pode a cidade de São Paulo, neste momento de reconstrução do civismo nacional, perder a chance de operar harmonicamente, em caráter de colaboração e integração, com as CPIs de Brasília e de aproveitar para si, os tantos elementos de interesse local, exclusivamente paulistano, já levantados pelas comissões federais, que poderão restar solenemente perdidos, em face de suas competências e focos distintos dos interesses da metrópole, que seria a apuração das fraudes que podem estar se dando localmente.

A criação de uma “CPI da corrupção” paulistana poderá, portanto, entrar para a história da Câmara Municipal de São Paulo ao prover exemplos de interesse cívico, coragem política, eficiência administrativa e moralidade pública, para todo o país.

Diga-se que o povo de São Paulo não precisa de qualquer blindagem política ou econômica, nem tampouco a atual gestão da cidade, que se encontra afogada por compromissos financeiros que podem, muito bem, ter sido objeto de fraudes, contratados de maneira imoral e irregular, em franca desvalia da capacidade da PMSP e dos cidadãos paulistanos.

Comente-se que as fraudes na cidade de São Paulo sempre foram apontadas pelas sucessivas gestões da cidade como endêmicas e epidêmicas, jamais tendo sido eficazmente combatidas e vencidas.

O que torna o presente MANIFESTO PELA CRIAÇÃO DA “CPI DA CORRUPÇÃO” NA CIDADE DE SÃO PAULO não somente oportuno, mas imprescindível, merecendo ser acompanhado pela adesão da sociedade civil e das instituições paulistanas em geral, pelo Ministério Público e por todos os homens de bem que efetivamente “desejem trabalhar por uma cidade limpa”, digna de um futuro melhor.

O presente manifesto também vai, provavelmente, de encontro aos anseios da atual gestão do município de São Paulo, já que o Prefeito José Serra, em reunião com seus subprefeitos em 02/02/05, em uma de suas corajosas manifestações bombásticas, declarou: “As pessoas têm medo de fazer as denúncias e assumi-las, têm medo de represálias, porque não confiam que os denunciados serão efetivamente afastados. Isso parece com a Chicago dos anos 30, no que daqui a pouco São Paulo poderia se transformar se for nesse ritmo. Não podemos permitir isso em nome de nada, de nenhuma causa política, de nenhuma acomodação.”

Esta é, enfim, uma ousada proposta cidadã, feita abertamente a todos os políticos e homens públicos de São Paulo, que também será divulgada de maneira democrática e transparente para a sociedade civil em geral e a imprensa paulistana.

É hora das autoridades paulistanas mostrar para o que vieram.
É momento do nosso homem público descer dos palanques, diminuir os discursos, escrever o que pensa e assinar suas conclusões.
É o que deseja a cidadania paulistana e brasileira, que não pode mais ter vergonha de seu civismo ou medo de uma luta que imagina, apenas imagina, que poderá resultar em nada. Saibam os brasileiros que, se assim pensassem no passado, três dezenas de americanos, não haveriam hoje os Estados Unidos da América.

Por uma São Paulo melhor, de todos, por todos e para todos.

PELA CRIAÇÃO, PELA CÂMARA MUNICIPAL, DA “CPI DA CORRUPÇÃO” NA CIDADE DE SÃO PAULO.

Moção escrita em 05/09/2005. Autorizada a publicação e a divulgação.
A adesão depende da consciência de cada um.

sexta-feira, agosto 12, 2005

POR FAVOR, IMPEACHMENT, AINDA NÃO.

Já faz alguns anos que a cidadania brasileira vem alertando sobre a inconsistência de políticas públicas, sempre justificadas politicamente pela quase unanimidade de nossas autoridades, sob o argumento das mais diversas carências nacionais.
Os poderes brasileiros, sempre harmônicos a proteger elucubrações econômicas garantidoras de lucros das maiores empresas e bancos, acostumaram-se a repassar a conta ao povo, sempre um distraído observador, embora pagante da realidade nacional.
Pelo menos foi o que sempre ocorreu até o advento do atualmente onipresente “mensalão”, onde num show midiático, passou nossa sociedade a acompanhar em tempo real o descortinamento de uma fraude coletiva, que vem se avolumando em escala geométrica no poder legislativo e aritmética nos outros poderes, o indolente executivo e o paquidérmico judiciário.
Do conflito e inquisição das CPIs, em meio a tantos discursos de moralidade de parlamentares, surgiram todas as abordagens e teses possíveis, das conspiratórias, às mais ordinárias. Alguns intentam desde o inicio, diminuir a crise, sustentando ser o “caixa 2” uma prática nacional arraigada e que o Presidente não seria responsável por toda a sua equipe e pelos atos mundanos que praticou, em nome do Brasil. Outros, especialmente os mais privilegiados, elucubram a necessidade da estabilidade econômica e a feitura de um “pacto de governabilidade”, o que é alcunhado pela choldra de “acordão”, como se a economia fosse um “poodle” e os seus idealizadores, os salvadores da dignidade nacional.
Mas de repente, o molho ficou salgado e as pizzas perigosamente insaborosas, pois politicamente está ficando impraticável prosseguir nas apurações e evitar que descubra o povo brasileiro que muito pior do que são alguns deputados e partidos políticos, é o que fizeram, com tanto dinheiro de origem escusa e ainda desconhecida, sendo evidente, contudo, que foi moeda de troca por inumeráveis políticas públicas, incrustadas em leis, atos administrativos e contratos, superfaturados, sub-contratados, alterados e aditados, muitos acompanhados da competente nota fiscal, que terminaram por garantir fonte de receita blindada ao controle popular, já que protegidos por lei! Como são todas as vantagens que o Governo propicia apenas para os grandes grupos econômicos, que por serem os maiores pagadores de impostos, podem sobre-valorizar seus preços, garantir suas tarifas, seus reajustes, seus oligopólios de mercado e suas concessões, diante de toda a pouca vergonha, que é o pagamento quase generalizado de butins. Para estes a burocracia é barata, os impostos razoáveis, não existe inflação e as oportunidades são abundantes. E o pior, em nome da lei.
E de repente, o risco passa a ser demasiado, com tal proporção e abrangência, que o anteriormente refutado impeachment do Presidente, transforma-se num grande negócio político (para os políticos, não para a nação), sob o argumento de não poderem se aprofundar e enterrar algumas Instituições nacionais, preferindo exibir em praça pública a cabeça do Presidente, já em inicio de franco descrédito, para aplacar a opinião pública e evitar assim, a ira nacional. Como se fosse um mero jantar entre amigos em um restaurante, quando os comensais, já fartos, pedem a conta, levantam-se e vão embora como se o banquete tivesse terminado e não houvesse tantos restos em cima das mesas.
O que significa dizer que no presente momento, é absolutamente inaceitável o impeachment do Presidente, por este pretender dar um fim político a problemas muito mais sérios e complexos, que merecem ser juridicamente enfrentados pelos Tribunais, para que ao final, apenas no final, sejam condenados os culpados.
E é recomendável que o Poder Judiciário efetivamente venha a condenar os verdadeiros culpados, que são os poderosos arquitetos e engenheiros da fraude e não os sacadores de tostões, que nada mais são do que os ‘sem sorte’ que foram apanhados na boca dos caixas e já estão sendo entregues às feras.
Nunca houve maior chance para que sejam analisadas as políticas públicas e testadas a sua veracidade e coerência, e para que sejam conhecidos os verdadeiros asseclas do país, se o pobre povo e as pequenas empresas nacionais que não conseguem pagar seus impostos, ou aqueles que emitem nota fiscal a justificar a fraude.
Agora que estão publicamente disponíveis as informações fiscais e bancárias, as ligações telefônicas, sendo possível o cruzamento quase infinito de dados e relações, seria lastimável para o Brasil, que fossem jogados tantos elementos numa cova rasa, apenas por estar coberta com a cabeça de nosso Presidente.
E a economia resistirá, pelo menos deverá resistir, caso sejam autênticos os tantos discursos feitos em nome das políticas públicas de suposto interesse do Brasil, pois nenhuma empresa séria deverá estar envolvida nas tantas falcatruas que passaram a fazer parte do passivo do povo brasileiro. Talvez até caia a bolsa e suba o dólar, mas num futuro próximo, nossa democracia mostrará a dignidade do povo brasileiro, que não parará, nem de acreditar, nem de continuar a exercer seu talento. Em verdade, talvez até volte a valer efetivamente o talento e a criatividade do brasileiro, que não mais estará com seu sofrimento a avalizar o lucro de bandidos de polainas, que nada mais são do que pagadores de butins.
Enfim, apesar de tanto, o tudo poderá ser nada, caso seja dado, tão cedo, um desfecho como o impeachment, ainda que aparente ser politicamente justificável.
É possível até que as apurações, às quais todos aguardam iminente desfecho, estejam apenas começando e que sejam descobertos outros operadores de dinheiro público, os seus financiadores e acima de tudo, as fontes da receita. Também é possível que muitas das recentes taxas, tarifas e reajustes que os brasileiros têm se acostumado a pagar sem reclamar, tenham finalmente revelada a sua real justificativa, uma política incívica, incoerente com o discurso de então candidatos e com a vontade e a capacidade popular. E que os contratos, as licitações e concessões praticadas pelo poder público pelo país afora venham a ter seus preços ajustados à legalidade e moralidade administrativa, sempre contornada pelas autoridades, em nome da suposta estabilidade.
Enfim, não há progresso sem dor, nem civismo e cidadania sem participação ou conhecimento pleno da realidade. Sem elucubrações estatísticas, mentiras ou meias-mentiras, pois o Brasil não mais aceita ser enganado e precisa saber.
Portanto pede-se: Menos. Calma. Por favor, Impeachment, ainda não.

Artigo escrito em 12/08/2005. Autorizada a publicação e divulgação.

quinta-feira, junho 30, 2005

CONSPIRAÇÕES DE “CARNE E OSSO” NA PRIMEIRA PÁGINA

As teorias conspiratórias são famosas e surgem sempre que é preciso justificar o que o homem não consegue compreender, explicar ou aceitar. De credibilidade discutível, terminam invariavelmente ridicularizadas, por serem espectros não palpáveis ou prováveis em nosso mundo moderno, cada vez mais cartesiano. Há que se separar, contudo, o joio do trigo.
Considerando que as referidas teorias também não têm provado o contrário do que pregam, é um exercício saudável a reflexão de seu contexto, sempre que este se fizer plenamente plausível, quase demandatório, diante das atuais práticas e estratégias empresariais, que hoje podem financeiramente controlar a tecnologia, a informática, o planejamento, a logística, a atuária, o marketing, os recursos humanos e a mídia, sendo que a esta última ferramenta, de extensão e caráter tão peculiar, cabe especial menção. Pelo fato de poder unir, com extrema eficiência, um público alvo determinável, sequioso por saber ou comprar, a “qualquer fornecedor” de informação ou produto, que pode ser moldado e entregue para que aparente solucionar as necessidades de qualquer “freguês”. O poder da mídia é tão grande e esta é tão influente, que a maioria dos países evoluídos vêm banindo qualquer menção, ainda que indireta ou subliminar, a cigarros e ao tabagismo.
Através da mídia podem ser manipuladas as massas para crer até no que seria impossível. Neste controle absoluto da informação, a mídia televisionada, a falada e a escrita ocupam um papel fundamental, pois levam para dentro dos lares brasileiros uma pretensa verdade que faz com que todos a admitam como parte de seu cotidiano. Não se esqueça que a crua realidade, dada pela mídia em sua versão da verdade, vem acompanhada e balanceada pela propaganda, que termina por aliar a notícia que seria supostamente real, àquilo que compõe os sonhos de consumo da sociedade moderna.
Ao zapear por diversos canais, ao sintonizar estações ou dobrar mais uma página, adentram os brasileiros em uma “zona de conforto”, onde parecem participar de maneira segura, corajosa e ativa das indignações do país, ao mesmo tempo em que sonham poder ter, momentaneamente, o que muitos jamais poderiam nem sonhar em ter. É uma autêntica MATRIX, parodiando o premiado filme dos irmãos Wachowsky, já que a cada vez mais a ficção se confunde com a realidade. Basta substituir as máquinas pela mídia, que conecta de tal forma os receptores a suas estratégias da informação, que estes terminam por acreditar e comprar de tudo, independentemente da verdade ou da utilidade do que estão lhe vendendo. No final ninguém precisa vender, pois é o consumidor que compra.
A propaganda moderna é tão eficiente que faria Goebbels (Ministro da Propaganda nazista) corar de vergonha. Alguns exemplos: O Banco que é tão bom que não parece banco, o carro que transformará o homem comum numa celebridade e o sabão em pó que permite lavar milhares de lençóis com uma única caixa. Glamour e conforto que constituem uma verdadeira lavagem cerebral e que afastam os espectadores, ouvintes e leitores de uma necessária reflexão, que os protegeria da pretensa verdade do pacote de informações, mercadologicamente conspirado e testado.
Em nosso país então, dadas as suas particularidades, muitas teorias conspiratórias já se “encarnaram com ossos robustos”, já que aqui, alguns interesses empresariais escusos, dominadores e concentradores, puderam se somar também a um controle da política, por sua capacidade de financiar, de forma exclusiva, somente as campanhas daqueles candidatos que atendam a seus interesses, ainda que estes contenham alguma sordidez economicamente justificável. Candidatos que ao serem eleitos para cargos em nossos poderes executivo e legislativo, formam uma óbvia maioria que enceta ou convenientemente permite uma promíscua troca de favores entre os poderes, na elaboração de algumas “supostas” políticas públicas, manipulando-as para que aparentem ser de interesse público, diversas maracutaias privadas.
Nesta manipulação, mais uma vez destaca-se a onipresente mídia. O brasileiro assiste, ouve, lê e, portanto, acredita sem refletir, em diversas “verdades” inseridas em seu dia a dia pelo Governo, como sendo de incontornável interesse público.
Com um povo extremante dócil, que osmoticamente absorve quaisquer informações, o Brasil vem reiteradamente aceitando os abusos, sempre lavados junto a seu Poder Judiciário, que não consegue punir quaisquer graúdos, que são invariavelmente os importantes, os ricos ou os amigos de alguém.
A evidente impunidade contrasta com o atual “circo pirotécnico” da Polícia Federal, que passou a aparentar ser mais eficiente, ao agir cinematograficamente, com o pleno apoio da mídia, em suas “investigações, apreensões e prisões”, que deveriam ser sigilosas e que não podem ser confundidas, em absoluto, com uma punição efetiva de criminosos, que somente podem ser assim considerados aqueles que forem condenados em definitivo pela Justiça. Ou seja, as prisões “bombásticas” (desnecessárias em todas as ocasiões) e as “invasões” aos escritórios de advocacia (arbítrio atentatório ao Estado de Direito) são somente outros abusos praticados em nome de uma realidade punitiva, que não existe para os poderosos no Judiciário brasileiro. Por acaso, alguém se lembra da condenação em definitivo de uma grande empresa a devolver milhões ou da efetiva devolução do dinheiro? Ou da prisão de mais do que três larápios famosos ligados ao Poder? Se tais fatos ocorrem, por que tais notícias não saem na TV ou nos jornais? Ora, é uma obviedade que está sendo plantada pelo Governo na mídia, uma atuação ‘hollywoodiana’ da PF, numa convincente cortina de fumaça, a justificar a ineficiência total de nosso Poder Judiciário, que vai muito além das dificuldades que constam em suas recém-descobertas planilhas. Ainda que possa e deva a PF ser respeitada, é o mais puro marketing, que nebulosamente leva a sociedade a se entreter com um “sádico esfolamento público”, incompatível com a Justiça e a dignidade humana.
Não nos esqueçamos que esfolamento equivalente se dá com as populares CPIs, a que o povo também é levado, de maneira errônea, a interpretar como entregadoras de “pizzas”. O que é um outro contraste entre fatos e boatos, já que CPIs não podem condenar, uma tarefa exclusiva de nosso Poder Judiciário, ou seja, este sim é que poderia ser chamado de “pizzaiolo”.
Historicamente é fácil explicar. O Brasil sempre foi controlado por oligarquias, sendo que nos últimos anos foi apresentado aos oligopólios, com quem se amasiaram os plutocratas, em nome da manutenção da estabilidade e crescimento nacional. Atualmente colhe o Brasil, em seus anseios de ser tão neoliberal, o fruto do concubinato havido entre o capital e o poder, que é a corrupção, o mais fiel retrato de uma conspiração endêmica e epidêmica, que está enraizada no país.
Numa análise, ainda que superficial, das políticas públicas brasileiras, encontramos a “endêmica materialização das teorias conspiratórias”, cuja comprovação não reside em sua assertiva, mas sim em seu contrario sensu, já que se dá na impossibilidade de serem ortodoxas, quase dogmáticas, as referidas políticas, por serem paradoxais e absurdas.
Exemplos encontram-se às pencas. Destaque-se que a entrega das conspirações a seus consumidores finais, o povo brasileiro, é feita pela sempre presente mídia, que precisa conciliar sua credibilidade às dificuldades para faturar (conquistar e manter seu quinhão no mercado) e seus impostos a pagar. Como o Brasil é atualmente um país de poucas oportunidades, altas taxas e voracidade tributária impressionante, é muito fácil que grandes anunciantes da propaganda também consigam se imiscuir na editoração de qualquer matéria. Considerando que os maiores anunciantes do país são o Governo (também credor dos tributos e administrador exclusivo dos débitos e favores tributários e legais) e as grandes empresas (detentoras das mais fartas verbas publicitárias), é uma conseqüência lógica que terminem por “influenciar ou convencer” até aos editores mais sérios, para a revolta dos melhores jornalistas. E o círculo vicioso continua, já que os conspiradores oficiosos procuram de forma invariável e primordial os meios de mídia mais críveis, que são os que têm maior tiragem ou audiência e que, coincidentemente, também padecem das maiores dificuldades.
Vejamos alguns dilemas conspiratórios e as versões dadas como verdades pela mídia.
a) A estratosférica taxa de juros, mantida tão alta por supostamente ser a única alternativa ao controle da inflação, sendo que é o próprio Governo que a provoca, com a sua irresponsabilidade gerencial e os seus preços administrados, possíveis apenas para os seus oligopólios amigos ou associados. Ao mesmo tempo, coincidentemente, das mesmas altas taxas, usufruem apenas as oligarquias, que continuam a ser as únicas a deter capital a ser regiamente remunerado sem trabalhar. E depois reclamam da informalidade do mercado, composto exatamente pelos infelizes brasileiros que não têm qualquer chance, oportunidades ou recursos para que se tornem formais.
b) Os lucros dos Bancos, que aparentam ser lógicos e inofensivos, mas que, em verdade, são privilégio de poucos, às custas de todos os outros. E os bancos nada fazem pelo país, ao contrário, já que leis são usualmente feitas para transformar em políticas públicas, o que seria de responsabilidade dos banqueiros. Leis como a terceirização de serviços bancários, que passou para as pequenas empresas nos rincões do país, a obrigação de fazer os serviços populares e menos rentáveis a que estariam obrigados os bancos. Normas como a do popular “micro-crédito” que empresta uma miséria, insuficiente até para explorar um carrinho de pipoca, e como a do supostamente benéfico “empréstimo consignado”, que propicia taxas menores (ainda altíssimas em qualquer país sério), apenas porque o Banco tem garantido o recebimento, ainda que o brasileiro não possa comprar o que come. E as migalhas dadas são ironicamente alardeadas como sendo o fruto do progresso bancário e da modernidade brasileira.
c) As concessões públicas, supostamente benéficas ao progresso nacional, mas que na realidade, são onde as oligarquias terminam por ser sócias, associadas ou por deter ações dos oligopólios, que recebem todas as vantagens de seu sócio maior, o Governo, que por sua vez, permite o aumento de preços e tarifas e ainda assim garante sua arrecadação de impostos, independentemente da capacidade contributiva da sociedade brasileira. Depois estranham centenas de milhares de ações na Justiça. É risível.
d) As concorrências públicas, que garantem a poucos e aos mesmos de sempre, mercados cativos e supervalorizados, que distribuem uma gordura financeira, previamente combinada, entre os asseclas do erário e que têm seus editais e contratos fiscalizados, pelos Tribunais de Conta, apenas contabilmente e a posteriori, depois que o mal já se tornou irrecuperável. É de pasmar qualquer administrador de mínima inteligência, o que, em qualquer país sério, levaria a mídia a cobrir e perseguir de maneira implacável, não somente as provas, mas também a sua apreciação e condenação pelas autoridades responsáveis.
e) A ausência de fiscalização de contratos bancários pelo Banco Central, que não os fiscaliza em absoluto, nem por amostragem. Por que será que não sai na mídia? Não é a toa que o BC, especialista em finanças, parece ter errado em dois bilhões o rombo do Banco Santos. É impressionante que um Banco Central pretenda ter sua autonomia, quando teve independência suficiente para poder errar uma conta de tal magnitude.
Enfim, poderiam ser dados muitos outros exemplos da endêmica materialização de teorias conspiratórias nas políticas públicas brasileiras. Se assim não fosse, seria bastante provável que o povo brasileiro fosse o mais incapaz e ignorante do planeta.
Epidemicamente, cabe dizer que se encontram atualmente em debate no Congresso Nacional as mais diversas teorias conspiratórias, arquitetadas tanto para causar, quanto para justificar, os mais recentes escândalos da República, o “mensalão dos Congressistas” e as “fraudes dos Correios”. É curioso que os principais partidos políticos brasileiros venham se revezando em acusações de leviandade e maldade, sempre como sendo exclusivamente alheias, como se jamais tivessem todos dividido a mesa de jantar.
Diga-se que as acusadas conspirações devem ser todas parcialmente verdadeiras.
As denúncias de corrupção que agora atacam nevralgicamente o país e até suas Instituições não são fruto do acaso. Como já dito, quando interesses sem freios se juntam às mais modernas possibilidades, quase ilimitadas no Brasil, as conspirações se materializam e geram efeitos concretos. E no Brasil despatriótico, sem civismo, as teorias conspiratórias, infelizmente, são tidas como integrantes da “arte da política”. E que a mídia acostumou-se a aceitar e divulgar como sendo uma natural habilidade do povo brasileiro.
Neste passo, é perfeitamente possível, quase provável, que as mais mirabolantes teorias conspiratórias estejam se materializando em novas estratégias e projetos de poder, sendo plausíveis até as que pretendem desestabilizar em definitivo, as Instituições brasileiras e assim ferir nossa tão aguardada democracia, hoje ainda uma quase adolescente.
O que não pode ser admitido em nenhuma hipótese ou circunstância.
É um momento em que o povo brasileiro deve demonstrar sua maturidade e afastar todas as fantasmagóricas conspirações, que se acostumou a vivenciar e admitir, com “carne e osso”, em seu cotidiano.
Em meio à lama da realidade política nacional, finalmente tornada pública, deve ser insistentemente pleiteada a imprescindível “Reforma Política”, para que possam ser removidas de imediato as chagas conspiratórias nacionais e seja estancado o sangramento de nossa dignidade e riqueza. Deve ser cobrada, ao mesmo tempo, a apuração correta dos fatos e a condenação dos culpados.
Deve cobrar o povo brasileiro a mais isenta atuação da mídia, que deve agir sem censura, mas com extrema responsabilidade e desapego, separando de suas reportagens os seus interesses, apesar das dificuldades comerciais. Que a televisão, o rádio e os jornais não se foquem apenas na execração pública individual, quando em verdade a responsabilidade é de todos os brasileiros, que sempre permitiram ou aceitaram, até em nossas Instituições, as mais variadas conveniências de interesse privado como sendo naturais no Brasil, retratos do famoso jeitinho da conivência. Que a mídia em geral saiba, doravante, ser ética e cívica, valorizando seus profissionais independentes, estabelecendo claros limites editoriais e propugnando majoritariamente pelo interesse coletivo, que caso fosse respeitado, nenhum brasileiro estaria hoje na situação em que está.
É necessário que fique patente que a sociedade brasileira não mais aceitará absurdas conspirações como sendo a verdade absoluta e que também não tolerará políticas públicas levadas a efeito, sem qualquer compromisso ou correspondência com a vontade e capacidade popular.
É fundamental que o povo brasileiro cobre incansavelmente, doravante, de seus políticos, um imprescindível civismo e desprendimento.
Que exija dos Ministérios Públicos uma atuação implacável, sempre que esta não for a regra. E que faça o Poder Judiciário punir estas hienas conspiradoras, transgressoras da lei e da ordem nacional, que sempre puderam rir, enquanto mastigavam as carcaças do povo brasileiro.
E que não aceite o povo, que o Poder Judiciário se utilize apenas de planilhas, quando seu dever é aplicar a lei e propiciar justiça igual para todos. E que também não mais se aceite qualquer imposição política de qualquer Tribunal judicante, que possa ameaçar carreiras e influenciar os mais puros ideais e capacidades dos abnegados Juízes que desejarem ousar pensar por si próprios e em acordo com suas consciências. Que não se aceitem Juízes políticos, que protegem ou relevam situações, assim como não são desejados políticos juízes, que sabem pedir e pedem o que entendem como justo. Que se busque os motivos e a responsabilização daqueles que “teratologicamente” afastam e relativizam o cumprimento da lei, o que, coincidentemente, somente ocorre quando envolve a punição de grandes empresas, do próprio Governo e de seus membros e dos demais poucos ricos e poderosos, que vêm se locupletando no presente, com o futuro de nossas crianças.
Que os brasileiros tenham a célebre frase de Ruy Barbosa à sua cabeceira, para que não se esqueçam de suas responsabilidades cívicas: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar as injustiças e de tanto ver o poder agigantar-se nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."
Para que entendam os brasileiros que os seus atos é que definirão quem são, “não importando apenas o que sai na televisão”.
E que a inércia e o egoísmo somente os levará à perdição do valor de nossa nação, enquanto que o civismo e o exercício da cidadania, são garantias para que o Brasil mereça pertencer ao primeiro mundo.
E que "carne e ossos" não deverão, nunca mais, ser unidos em nossa democracia, com o sangue de ninguém.
Sem conspirações e sem conspiradores, poderá ser o Brasil finalmente dono de seu destino e senhor de sua tão esquecida soberania.
Por um Brasil melhor, agora e doravante, também para o povo brasileiro.
De todos, por todos e para todos.
Publique-se. Na primeira página.

Artigo originalmente escrito em 24/06/2005.
Adaptado a pedidos, em 30/06/2005.
Autorizada a publicação e divulgação

quarta-feira, junho 29, 2005

DECISÕES JUDICIAIS PARA POUCOS

Sugere-se uma "cívica leitura" deste, onde se procura ser conciso e o menos técnico possível, já que traz informações de cunho e domínio público, imprescindíveis para a análise e o aprimoramento do Poder Judiciário brasileiro, que se encontra em profunda transformação. E é voz corrente que a participação da sociedade e a cobrança da cidadania se fazem fundamentais para que as transformações em andamento condigam com os anseios do povo brasileiro, que merece Instituições sólidas e não deseja mais surpresas.

Merece transcrição integral, inicialmente, um dos pensamentos do sempre corajoso Ministro Edson Vidigal, ilustre Presidente do STJ: "Quem serve ao Estado serve ao público em geral. Ninguém dentre nós, no serviço público, é inimigo de ninguém. Bastam os inimigos do Povo, só por isso, também, nossos inimigos. Contra eles é que devemos estar fortes em nossa união. O Padre Antonio Vieira dizia que os sacerdotes são empregados de Deus. Assim, da mesma forma, o dinheiro que paga o salário do Presidente da República e dos seus Ministros, dos Deputados e dos Senadores, dos Ministros dos Tribunais é o mesmo que paga o salário de todos os outros servidores, do porteiro ao assessor mais graduado, do cabo ao general. Esse dinheiro vem de um único patrão para o qual trabalhamos, do qual somos empregados. Esse patrão é o contribuinte que paga impostos. Somos empregados do Povo brasileiro." (fonte: http://www.serpro.gov.br/noticiasSERPRO/20040413_08)

Para a compreensão deste texto é justo e importante que seja feita pelo leitor, especialmente por aqueles que se interessem por cidadania, civismo e justiça, uma pesquisa de inteiro teor dos seguintes processos, todos extraídos do “site” do STJ, onde podem ser confirmados.

MEDIDA CAUTELAR Nº 9.218 - SP (2004/0163264-1)
RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX
REQUERENTE : QUALIX SERVIÇOS AMBIENTAIS LTDA
ADVOGADO : ANTÔNIO ARALDO FERRAZ DAL POZZO E OUTROS
REQUERENTE : COMPANHIA AUXILIAR DE VIAÇÃO E OBRAS - CAVO
REQUERENTE : ENTERPA ENGENHARIA LTDA
REQUERENTE : CBPO ENGENHARIA LTDA
ADVOGADO : PAULO ROBERTO SARAIVA DA COSTA LEITE E OUTROS
REQUERIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

MEDIDA CAUTELAR Nº 9.750 - SP (2005/0042483-6)
RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON
REQUERENTE : CBPO ENGENHARIA LTDA
ADVOGADO : PEDRO ESTEVAM A P SERRANO E OUTROS
REQUERIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

MEDIDA CAUTELAR Nº 6.575 - SP (2003/0105587-6)
RELATOR : MINISTRO JOÃO OTÁVIO DE NORONHA
REQUERENTE : QUALIX SERVIÇOS AMBIENTAIS LTDA
REQUERENTE : ENTERPA ENGENHARIA LTDA
ADVOGADO : PAULO ROBERTO SARAIVA DA COSTA LEITE E OUTROS
REQUERIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
(vide também o Agravo de Instrumento 615490)

MEDIDA CAUTELAR Nº 7.104 - SP (2003/0174757-7)
RELATOR : MINISTRO HUMBERTO GOMES DE BARROS
REQUERENTE : CBPO ENGENHARIA LTDA
ADVOGADO : ADRIANA RESSURREIÇÃO PASSOS E OUTROS
REQUERIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
(vide também o Agravo de Instrumento 652992)

MEDIDA CAUTELAR Nº 9.014 - SP (2004/0140450-5)
RELATOR : MINISTRO JOSÉ DELGADO
REQUERENTE : VEGA ENGENHARIA AMBIENTAL S/A
ADVOGADO : PAULO ROBERTO SARAIVA DA COSTA LEITE E OUTROS
REQUERIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Estes são apenas alguns processos a demonstrar que todos os esforços do Ministério Público Estadual de São Paulo, em punir a irresponsabilidade e a improbidade administrativa, aparentam estar resultando em nada, o que jamais é apresentado explicitamente à sociedade.

Coincidentemente, todos os processos dão atendimento excepcionalíssimo a pleitos de grandes empresas da área de Construção Civil e de Coleta de lixo, que inclusive são sócias, associadas ou consorciadas em diversas regiões do país.

As “medidas cautelares” acima arroladas, em geral, “suspendem de forma surpreendente e indefinidamente” a execução pelo MPE/SP das sentenças dos processos de improbidade, que já foram julgados pelo TJ/SP (2.ª Instância) e que resultaram na condenação das empresas citadas em centenas de milhões e até em bilhões, além de também não poderem contratar com o poder público.

Os referidos processos originam-se apenas da comarca de São Paulo, não se sabendo se ocorre o mesmo com outras grandes empresas (e de outros segmentos polêmicos, tais como eletricidade, telefonia, bancos e etc...) ou em outras comarcas, ou se nestas, as grandes empresas já conseguiram se consagrar como “probas” ou “blindadas” até a 2.ª Instância.

Frise-se que os MPs têm competência local e que suas ações não estão integradas em nenhum sistema de dados, o que não permite à sociedade brasileira o conhecimento logístico do enfrentamento da improbidade no Brasil. É uma pena que os MPs não tenham se integrado logisticamente, ainda que preservando suas particularidades operacionais e competências, e que não mantenha canais abertos de diálogo com a Sociedade.

Em tal sentido, talvez seja a mídia a única capaz a reunir os elementos necessários a apresentar à sociedade brasileira os efeitos das decisões que terminam por dar privilégios excepcionais aos poderosos. Até para que o recém criado Conselho Nacional de Justiça possa conhecer e corrigir desvios legais, que ainda não constam de qualquer planilha.

Destaque-se que parece não existir (pelo menos não é de conhecimento público) qualquer pesquisa feita pelos Tribunais Superiores sobre a real efetividade e eficácia das decisões judiciais, que intentam punir a improbidade no Brasil.

“Cabe parêntesis sobre noticias recentemente divulgadas pela mídia, onde o Presidente do STF declarou ter constatado por pesquisa, que pouquíssimas empresas (somente grandes e algumas, inclusive, do Governo) eram responsáveis por mais da metade das ações nos Tribunais. As mesmas notícias informaram também de reunião ocorrida entre o Presidente do STF com alguns dirigentes destas Empresas, a buscar uma solução. Não se sabe da divulgação oficial de nenhum resultado, mas, informalmente, o Presidente do STF comentou em recente debate na Folha de SP (sobre a reforma do Judiciário), que as Empresas nada pretendiam fazer a respeito, pois seus ajustes implicariam numa drástica diminuição de lucros, ou seja, não seriam “atuarial e economicamente” recomendáveis quaisquer ajustes a suas práticas e condutas, ainda que discutíveis.” Observação crítica: Este parêntesis procura demonstrar que talvez não somente a improbidade administrativa esteja sendo relativizada pelos Tribunais Superiores, mas também as condutas e práticas coletivas e difusas das grandes empresas, que não recebem qualquer controle ou abordagem pública moralmente justificável. O que ocasiona uma óbvia corrida da Sociedade aos Tribunais, na defesa de seus direitos privados, quando o correto seria haver uma política pública que ofereça e garanta “na raiz” o cumprimento da lei, punindo severamente os abusos coletivos e difusos.

Voltando à impunidade da improbidade, tema do “ponto de vista” deste texto.

As decisões do STJ, nos processos apontados, são excepcionalíssimas, o que costumam chamar de “teratológicas” (etimologicamente significam o "estudo das monstruosidades ou narração de coisas maravilhosas" - v. Aurélio), por não se aplicarem às demais ações que tramitam no Judiciário. Se assim fosse, todos os brasileiros teriam o direito de rediscutir provas no STJ (vedado pelas Súmulas 5 e 7) e ganhariam uma “3.ª Instância Recursal”. É uma obviedade que prejudicam o erário, ao excepcionar ou retardar a punibilidade no Brasil, por relativizar a lei (para poucos, em detrimento de todos os outros) e desprestigiar os Juízes de 1.ª e 2.ª Instância (que apreciaram por longos anos as provas, para proferir suas decisões).

Não se trata de retirar de ninguém o direito à defesa ou ao devido processo legal, ou mesmo fazer acusações injustas, já que as ações mencionadas (que tramitaram por anos a fio e chegaram a seu final) são públicas e de interesse público, possuindo condenações proferidas em 2.º grau, sendo certo ainda que este texto apenas difunde que as mesmas não têm prosperado no STJ, ao menos, as aqui referidas.

É um direito democrático da sociedade saber e refletir sobre tais decisões.

Assim como também cabe, democraticamente, indicar os motivos de convencimento do Tribunal Superior, que são os principais argumentos utilizados pelas referidas Empresas, a justificar a urgência e a pertinência no acolhimento de suas teses inovadoras para suspender as Execuções de sentenças condenatórias e que têm convencido a alguns Ministros do STJ. Que são, em resumo:
a) A súbita cessação de suas atividades terminaria por ser suportada ou arcada pela coletividade usuária dos serviços;
b) O considerável número de empregados que poderiam ser atingidos, direta e indiretamente, pela decisão.
c) A morte “civil” da empresa.

Embora sejam argumentos aparentemente relevantes, cabe ponderar:

a) O cumprimento da lei deve ser uma obrigação para todos os brasileiros, sem exceção;
b) As razões postas como ‘dilemas’ são riscos do negócio, tanto para as Empresas quanto para o Estado que as contratou, além do que o Estado, por possuir o monopólio legal, pode muito bem encontrar solução emergencial plenamente compatível;
c) Existe uma aparente falta de criatividade, no momento que o Tribunal aceita tais razões como um “dilema absoluto”, não divisível. Ainda que sejam aparentemente relevantes as razões das empresas, problemas graves podem sempre ter abordagem parcial ou fracionada, até mesmo “salomônica”, política e moralmente justificável. Exemplo: a condenação de ressarcimento ao erário poderia prosperar, independentemente da pena de vedação da contratação pelo poder público, que também poderia, por sua vez, ser aplicada de imediato para “todos” os contratos futuros. Ou seja, ainda que o STJ não permitisse ao MP executar imediatamente o todo das sentenças de 2.º grau e tão somente suas partes inadiáveis, estaria prevenida a repetição do erro e os riscos ao erário, como acontece exata e atualmente com os contratos de lixo da cidade de São Paulo, que foram firmados com empresa “condenada”. (Vide processo 053.04.031823-3 da 8.ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, onde o MPE/SP processa, por mais uma vez, de novo em 1.ª Instância, a referida empresa condenada e outros, em uma ação de quase 10 BILHÕES / Vide também o Agravo relacionado interposto no TJ/SP que garantiu "em caráter liminar e coincidentemente por argumentos semelhantes" a manutenção, para empresa condenada, dos absurdos contratos tão gravosos à cidade de São Paulo) ;
d) As decisões cautelares do STJ não se coadunam com os anseios democráticos e de austeridade da nação, e muito menos com o Processo Civil brasileiro, já que podem admitir rediscussão probatória e de mérito onde não mais se faz possível, assim como dar efeitos suspensivos a Recursos que ainda não existem formalmente no mundo jurídico (sem despachos de admissibilidade).
e) As excepcionalidades e teratologias do STJ ferem nossa segurança jurídica em muito mais do que a demora da prestação jurisdicional, já que podem constituir paradigma para todos os demais descontentes e inconformados com as decisões judiciais, que não só deveriam ter os mesmos direitos como poderão, muito bem, passar a alegá-los. Seria uma revolução na prática do direito brasileiro, decorrente da institucionalização processual e “jurisprudencial” da impunidade.
f) É incontornável a analogia e uma dramatização exemplificativa: As excepcionalidades apontadas, caso fossem estendidas à sociedade, poderiam significar a suspensão da prisão de assassino por ser pai de família, que as pequenas empresas não fossem executadas, porque não conseguiram faturar para pagar seus impostos e que ninguém falisse, por ter que dispensar empregados. Não é saudável. É lamentável. Chega a ser ridículo.

Ressalte-se que a mídia tem demonstrado os efeitos da corrupção no país, que parece ter se irradiado para dentro de nossas Instituições, ao encetar suas Concorrências e Concessões Públicas. Este é exatamente o caso das empresas arroladas, que participam quase tão somente de concorrências e concessões públicas.

E que a impunidade é a preocupação de todos, para que não mais possa se perpetuar, abertamente, a corrupção.

Caso a impunidade de hoje seja, novamente, um “dilema de amanhã”, estaremos fadados a viver em um faroeste, o que parece ter cansado a sociedade brasileira.

Costuma-se dizer que “decisões judiciais não se discutem, se cumprem”. Contudo tal assertiva cabe às partes dos processos e não à sociedade, que merece conhecer e avaliar a fundamentação excepcional de algumas decisões judiciais, que privilegiam poucos em detrimento das possibilidades e oportunidades de todos.

E os brasileiros devem saber o que fazem. E o que querem.

As observações feitas são críticas e, coincidentemente, também encontram eco e coerência com vários outros fatos atualíssimos da realidade nacional.

E que, por fim, apenas procuram provocar a reflexão sobre o ponto de vista de um comum cidadão brasileiro, que não detém quaisquer das capacidades ou competências, talentos, isenções ou obrigações das autoridades, mas tão somente o direito democrático de apresentar sua indignação cívica, sem pretender ser qualquer vestal.

Texto escrito em 29/06/2005.

sexta-feira, junho 24, 2005

CONSPIRAÇÕES DE “CARNE E OSSO” NO BRASIL ATUAL

As teorias conspiratórias são famosas e surgem sempre que é preciso justificar o que o homem não consegue compreender, explicar ou aceitar. De credibilidade discutível, terminam invariavelmente ridicularizadas, por serem espectros não palpáveis ou prováveis em nosso mundo moderno, cada vez mais cartesiano. Há que se separar, contudo, o joio do trigo.
Considerando que as referidas teorias também não têm provado o contrário do que pregam, é um exercício saudável a reflexão de seu contexto, sempre que este se fizer plenamente plausível, quase demandatório, diante das atuais práticas e estratégias empresariais, que hoje podem financeiramente controlar a tecnologia, a informática, o planejamento, a logística, a atuária, o marketing, a mídia e os recursos humanos.
Em nosso país então, dadas as suas particularidades, muitas teorias conspiratórias já se “encarnaram com ossos robustos”, já que aqui, alguns interesses empresariais escusos, dominadores e concentradores, puderam se somar também a um controle da política, por sua capacidade de financiar, de forma exclusiva, somente as campanhas daqueles candidatos que atendam a seus interesses, ainda que estes contenham alguma sordidez economicamente justificável. Candidatos que ao serem eleitos para cargos em nossos poderes executivo e legislativo, formam uma óbvia maioria que enceta ou convenientemente permite uma promíscua troca de favores entre os poderes, na elaboração de algumas “supostas” políticas públicas, manipulando-as para que aparentem ser de interesse público, diversas maracutaias privadas.
Com um povo extremante dócil, o Brasil vem reiteradamente aceitando os abusos, sempre lavados junto a seu Poder Judiciário, que não consegue punir quaisquer graúdos, que são invariavelmente os importantes, os ricos ou os amigos de alguém.
A evidente impunidade contrasta com o atual “circo pirotécnico” da Polícia Federal, que passou a aparentar ser mais eficiente, ao agir cinematograficamente em suas “investigações, apreensões e prisões”, que deveriam ser sigilosas e que não podem ser confundidas, em absoluto, com uma punição efetiva de criminosos, que somente podem ser assim considerados aqueles que forem condenados em definitivo pela Justiça. Ou seja, as prisões “bombásticas” (desnecessárias em todas as ocasiões) e as “invasões” aos escritórios de advocacia (arbítrio atentatório ao Estado de Direito) são somente outros abusos praticados em nome de uma realidade punitiva, que não existe para os poderosos no Judiciário brasileiro. Por acaso, alguém se lembra da condenação em definitivo de uma grande empresa a devolver milhões ou da efetiva devolução do dinheiro? Ou da prisão de mais do que três larápios famosos ligados ao Poder? Ora, é uma obviedade que está sendo plantada pelo Governo na mídia, uma atuação ‘hollywoodiana’ da PF, numa convincente cortina de fumaça, a justificar a ineficiência total de nosso Poder Judiciário, que vai muito além das suas dificuldades que constam em suas recém-descobertas planilhas. Ainda que possa e deva a PF ser respeitada, é o mais puro marketing, que nebulosamente leva a sociedade a se entreter com um “sádico esfolamento público”, incompatível com a Justiça e a dignidade humana.
Não nos esqueçamos que esfolamento equivalente se dá com as populares CPIs, a que o povo também é levado, de maneira errônea, a interpretar como entregadoras de “pizzas”. O que é um outro contraste entre fatos e boatos, já que CPIs não podem condenar, uma tarefa exclusiva de nosso Poder Judiciário, ou seja, este sim é que poderia ser chamado de “pizzaiolo”.
Historicamente é fácil explicar. O Brasil sempre foi controlado por oligarquias, sendo que nos últimos anos foi apresentado aos oligopólios, com quem se amasiaram os plutocratas, em nome da manutenção da estabilidade e crescimento nacional. Atualmente colhe o Brasil, em seus anseios de ser tão neoliberal, o fruto do concubinato havido entre o capital e o poder, que é a corrupção, o mais fiel retrato de uma conspiração endêmica e epidêmica, que está enraizada no país.
Numa análise, ainda que superficial, das políticas públicas brasileiras, encontramos a “endêmica materialização das teorias conspiratórias”, cuja comprovação não reside em sua assertiva, mas sim em seu contrario sensu, já que se dá na impossibilidade de serem ortodoxas, quase dogmáticas, as referidas políticas, por serem paradoxais e absurdas.
Exemplos encontram-se às pencas. Vejamos alguns dilemas conspiratórios.
a) A estratosférica taxa de juros, mantida tão alta por supostamente ser a única alternativa ao controle da inflação, sendo que é o próprio Governo que a provoca, com a sua irresponsabilidade gerencial e os seus preços administrados, possíveis apenas para os seus oligopólios amigos ou associados. Ao mesmo tempo, coincidentemente, das mesmas altas taxas, usufruem apenas as oligarquias, que continuam a ser as únicas a deter capital a ser regiamente remunerado sem trabalhar. E depois reclamam da informalidade do mercado, composto exatamente pelos infelizes brasileiros que não têm qualquer chance, oportunidades ou recursos para que se tornem formais.
b) Os lucros dos Bancos, que são privilégio de poucos, às custas de todos os outros. E os bancos nada fazem pelo país, ao contrário, já que leis são usualmente feitas para transformar em políticas públicas, o que seria de responsabilidade dos banqueiros. Leis como a terceirização de serviços bancários, que passou para as pequenas empresas nos rincões do país, a obrigação de fazer os serviços populares e menos rentáveis a que estariam obrigados os bancos. Normas como a do popular “micro-crédito” que empresta uma miséria, insuficiente até para explorar um carrinho de pipoca, e como a do supostamente benéfico “empréstimo consignado”, que propicia taxas menores (ainda altíssimas em qualquer país sério), apenas porque o Banco tem garantido o recebimento, ainda que o brasileiro não possa comprar o que come. E as migalhas dadas são ironicamente alardeadas como sendo o fruto do progresso bancário e da modernidade brasileira.
c) As concessões públicas, onde as oligarquias terminam por ser sócias, associadas ou por deter ações dos oligopólios, que recebem todas as vantagens de seu sócio maior, o Governo, que por sua vez, permite o aumento de preços e tarifas e ainda assim garante sua arrecadação de impostos, independentemente da capacidade contributiva da sociedade brasileira. Depois estranham centenas de milhares de ações na Justiça. É risível.
d) As concorrências públicas, que garantem a poucos e aos mesmos de sempre, mercados cativos e supervalorizados, que distribuem uma gordura financeira, previamente combinada, entre os asseclas do erário e que têm seus editais e contratos fiscalizados, pelos Tribunais de Conta, apenas contabilmente e a posteriori, depois que o mal já se tornou irrecuperável. É de pasmar qualquer administrador de mínima inteligência.
e) A ausência de fiscalização de contratos bancários pelo Banco Central, que não os fiscaliza em absoluto, nem por amostragem. Não é a toa que o BC, especialista em finanças, parece ter errado em dois bilhões o rombo do Banco Santos. É impressionante que um Banco Central pretenda ter sua autonomia, quando teve independência suficiente para poder errar uma conta de tal magnitude.
Enfim, poderiam ser dados muitos outros exemplos da endêmica materialização de teorias conspiratórias nas políticas públicas brasileiras. Se assim não fosse, seria bastante provável que o povo brasileiro fosse o mais incapaz e ignorante do planeta.
Epidemicamente, cabe dizer que se encontram atualmente em debate no Congresso Nacional as mais diversas teorias conspiratórias, arquitetadas tanto para causar, quanto para justificar, os mais recentes escândalos da República, o “mensalão dos Congressistas” e as “fraudes dos Correios”. É curioso que os principais partidos políticos brasileiros venham se revezando em acusações de leviandade e maldade, sempre como sendo exclusivamente alheias, como se jamais tivessem todos dividido a mesa de jantar.
Diga-se que as acusadas conspirações devem ser todas parcialmente verdadeiras.
As denúncias de corrupção que agora atacam nevralgicamente o país e até suas Instituições não são fruto do acaso. Como já dito, quando interesses sem freios se juntam às mais modernas possibilidades, quase ilimitadas no Brasil, as conspirações se materializam e geram efeitos concretos. E no Brasil despatriótico, sem civismo, as teorias conspiratórias, infelizmente, são tidas como integrantes da “arte da política”.
Neste passo, é perfeitamente possível, quase provável, que as mais mirabolantes teorias conspiratórias estejam se materializando em novas estratégias e projetos de poder, sendo plausíveis até as que pretendem desestabilizar em definitivo, as Instituições brasileiras e assim ferir nossa tão aguardada democracia, hoje ainda uma quase adolescente.
O que não pode ser admitido em nenhuma hipótese ou circunstância.
É um momento em que o povo brasileiro deve demonstrar sua maturidade e afastar todas as fantasmagóricas conspirações, que se acostumou a vivenciar e admitir, com “carne e osso”, em seu cotidiano.
Em meio à lama da realidade política nacional, finalmente tornada pública, deve ser insistentemente pleiteada a imprescindível “Reforma Política”, para que possam ser removidas de imediato as chagas conspiratórias nacionais e seja estancado o sangramento de nossa dignidade e riqueza. Deve ser cobrada, ao mesmo tempo, a apuração correta dos fatos e a condenação dos culpados. Deve cobrar o povo brasileiro a mais isenta atuação da mídia, que deve agir sem censura, mas com extrema responsabilidade e desapego, separando de suas reportagens os seus interesses, apesar das dificuldades comerciais.
É necessário que fique patente que a sociedade brasileira não mais aceitará absurdas conspirações como sendo a verdade absoluta e que também não tolerará políticas públicas levadas a efeito, sem qualquer compromisso ou correspondência com a vontade e capacidade popular.
É fundamental que o povo brasileiro cobre incansavelmente, doravante, de seus políticos, um imprescindível civismo e desprendimento.
Que exija dos Ministérios Públicos uma atuação implacável, sempre que esta não for a regra. E que faça o Poder Judiciário punir estas hienas conspiradoras, transgressoras da lei e da ordem nacional, que sempre puderam rir, enquanto mastigavam as carcaças do povo brasileiro.
E que não aceite o povo, que o Poder Judiciário se utilize apenas de planilhas, quando seu dever é aplicar a lei e propiciar justiça igual para todos. E que também não mais se aceite qualquer imposição política de qualquer Tribunal judicante, que possa ameaçar carreiras e influenciar os mais puros ideais e capacidades dos abnegados Juízes que desejarem ousar pensar por si próprios e em acordo com suas consciências. Que não se aceitem Juízes políticos, que protegem ou relevam situações, assim como não são desejados políticos juízes, que sabem pedir e pedem o que entendem como justo. Que se busque os motivos e a responsabilização daqueles que “teratologicamente” afastam e relativizam o cumprimento da lei, o que, coincidentemente, somente ocorre quando envolve a punição de grandes empresas, do próprio Governo e de seus membros e dos demais poucos ricos e poderosos, que vêm se locupletando no presente, com o futuro de nossas crianças.
Que os brasileiros tenham a célebre frase de Ruy Barbosa à sua cabeceira, para que não se esqueçam de suas responsabilidades cívicas: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar as injustiças e de tanto ver o poder agigantar-se nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."
Para que entendam os brasileiros que os seus atos é que definirão quem são.
E que a inércia e o egoísmo somente os levará à perdição do valor de nossa nação, enquanto que o civismo e o exercício da cidadania, são garantias para que o Brasil mereça pertencer ao primeiro mundo.
E que "carne e ossos" não deverão, nunca mais, ser unidos em nossa democracia, com o sangue de ninguém.
Sem conspirações e sem conspiradores, poderá ser o Brasil finalmente dono de seu destino e senhor de sua tão esquecida soberania.
Por um Brasil melhor, agora e doravante, também para o povo brasileiro.
De todos, por todos e para todos.

quinta-feira, junho 16, 2005

frase de 16/06/2005

A força da cidadania está em não se omitir ou calar.

quarta-feira, junho 15, 2005

Roberto Jefferson, num jantar histórico da democracia.

Num clima de Copa do Mundo, assistiu-se em 14/06/2005, ao ainda Deputado Roberto Jefferson fazer sérias acusações a todo o sistema político brasileiro, acima dos meros partidos e seus integrantes. Ao mesmo tempo, a Bolsa de Valores e o Câmbio aceitaram com maturidade os desvios do poder, em nome da democracia e da ordem estabelecidas. Até o Risco Brasil se comportou “economicamente”.
Embora sem provas materiais, que porventura venham a surgir, Roberto Jefferson, em seu testemunho (que também é admitido como prova pela lei brasileira), foi contundente e esclarecedor, apontando e até nominando, explicitamente, as obscuras ligações entre políticos e empresas públicas e privadas, num conluio com “interesses somente privados”, absolutamente distantes do civismo que deveria imantar as condutas de todos os políticos brasileiros.
Assistiu a cidadania brasileira, ao vivo pela TV, pelo rádio e pela Internet, às suas feras do Legislativo, digladiar-se não mais por suas presas indefesas, mas pela carcaça de seus próprios pares. Os poderosos políticos, agora reféns da própria torpeza, adentraram num autêntico Coliseu Romano, ora calados, ora combativos, todos apreensivos, esperando a formação das listas de um abate popularesco, que se tiver sorte e “juízo” o Brasil, se converterá no final, em uma investigação séria, seguida da condenação de seus culpados, pelo Poder Judiciário.
Contudo, em meio à peste, talvez se sinta na data de hoje, histórica, mais aliviado o povo brasileiro, o dia em que a casa caiu, mas não a Bolsa.
Tomara que os mercados vejam e assimilem, que o povo pense e aja, para que não mais sejam admitidos quaisquer abusos, “em nome das instituições e dos poderes constituídos”, especialmente os de tal envergadura.
Para que se separem em definitivo, os interesses privados escusos, do manto da discricionariedade e legalidade públicas, que terminam por permitir acordos espúrios, que vêm sangrando o erário do país. E que, vergonhosa e absurdamente, terminam por integrar algumas supostas “políticas públicas”, que carecem de justificativas econômicas sérias e não se coadunam com o interesse popular ou com a ética e o direito.
Destaque-se que o civismo e o patriotismo são princípios conseguidos, por vezes, a duras penas, com o risco até de algum confronto ou execração, que não podem, sem dúvida, ser declinados, para ocultar a inércia do comodismo ou a ineficácia da justiça, num álibi mentiroso a manter a normalidade da democracia e a estabilidade econômica. Pelo contrário, estas últimas somente serão conseguidas, em seu apogeu, caso haja o confronto do exemplo, com o discurso que o precedeu. Exatamente o que vemos no atual cenário político brasileiro, onde se opõem exemplos e discursos, de Deputados provavelmente associados a alguns interesses do Poder Executivo, num projeto obtuso de poder.
Assim sendo, ainda que Roberto Jefferson tenha sido vilão em recente novela da vida brasileira (Collorgate), o seu papel atual é o de coadjuvante da democracia de mãos limpas, o do personagem que respalda o ator principal, o interesse público. Mesmo que Jefferson seja titular dos mais variados interesses privados, até possivelmente escusos, é indubitável que serviu de escada para a apuração dum “mal quase institucional”, que supera em muito uma eventual responsabilidade apenas pessoal, já que a eventualidade parece estar ocorrendo em todas as ocasiões, dado o histórico de impunidade no Brasil, onde parasitas do desenvolvimento nacional vêm jantando abertamente com os parasitados, em nome dum suposto interesse público.
Diga-se, de passagem, que para tais jantares, o atual “pária entre pares” do Congresso, o ainda Deputado Roberto Jefferson, deve ter sido habitualmente convidado.
Talvez agora, alguns açougueiros do desenvolvimento nacional tenham que se fartar, com o mesmo capim que gostam de oferecer ao povo brasileiro. É possível que o diálogo entre autoridades, que recentemente se transformou numa verdadeira cópula entre poderes, tenha que apresentar ao povo, os seus bastardos. É provável que os “jantares” entre autoridades do Primeiro Escalão, de todos os Poderes, com os pseudo-guardiões dos supostos interesses econômicos nacionais, que o povo brasileiro acostumou-se a assistir passivamente, apenas pagando a conta ao final, sejam, doravante, diferentes, mais saudáveis.
Enfim foi oferecido ao povo brasileiro um menu que pode saciar sua fome de justiça, ainda maior que a de oportunidades. Foi servida, por um inusitado anfitrião, o Deputado Roberto Jefferson, “uma feijoada com o bacon fornecido pelo próprio porco” e uma “omelete cujos ovos são estrelados”. Um banquete democrático, cuja saborosa sobremesa, a justiça, todos aguardam ansiosamente.
Em verdade, no presente momento democrático nacional, em que pesem os defeitos pessoais do anfitrião Jefferson e que tenha cozinhado no passado, para seus canibalizados de hoje, o que importa é uma correta apuração dos fatos, anteriormente blindados à opinião e interesse públicos.
Espera o povo brasileiro, portanto, que o seu novo “chef de cuisine”, o Deputado Roberto Jefferson, não se acovarde com o rigor da lei, a vingança dos “donos do buffet” ou o valor da conta do banquete. Ainda que seja seu último jantar político e o primeiro cívico. E que os Mercados não se espantem com o cardápio, afinal, será deglutido com parcimônia e respeito, cabendo às latrinas o seu saldo negativo. A única ressalva se faz à falta dos banheiros públicos, que “estruturalmente” não vêm recebendo recursos compatíveis com as necessidades nacionais, em razão do constante aperto de verbas, contidas supostamente, para o acerto das contas públicas brasileiras. Ou será que têm sido utilizadas para outros fins? De qualquer forma e com certeza, deverão os neoliberais apresentar uma solução emergencial, bastante ortodoxa e economicamente viável. Este é o nosso Brasil.
Mas para o povo, frise-se que agora não interessam as planilhas, mas tão somente a esperada Justiça. Que seja feita. A partir da tribuna, nos Tribunais e sem jantares.

sexta-feira, junho 10, 2005

MANIFESTO PELA APROVAÇÃO DO PL 862/2003 - CONTRA ANIMAIS EM CIRCOS

Prezados colegas de Cidadania:

Encontra-se, abaixo, o texto do e-mail enviado em 09/06/2005, que contém um MANIFESTO em apoio ao PL 862/03, que visa proibir na cidade de São Paulo, a utilização de animais em circos.
O Manifesto foi encaminhado a todos os Vereadores da cidade de São Paulo, assim como a autoridades e à imprensa.
Para a ciência e apoio dos que se interessarem, em respeito aos animais.

MANIFESTO

Prezados Senhores:

É o presente para solicitar de vossas consciências, o apoio ao PL 862/2003, que trata da proibição no Município de São Paulo, da utilização de animais, em apresentação de circos e congêneres.
A justificativa de mérito ao Projeto está condignamente traçada pelo então Vereador Roger Lin, que também enfrentou a constitucionalidade da matéria, diante do que dispõe a CF, arts. 24, VI e 30, I e II, assim como do que reza no art. 188, par. 1.o. da Lei Orgânica do Município de São Paulo. Aliás, se o referido projeto padecesse de qualquer inconstitucionalidade, igual tratamento deveria receber a disposição mencionada (art.188, § 1.o.) da Lei Orgânica de nosso Município.
Quanto à legalidade, cabe dizer que embora a "atividade empresarial do circo" seja legal e presumivelmente lícita, tal afirmativa não é absoluta, não tendo o condão de "blindar condutas" que extrapolam a licitude, ao ferir diversas outras disposições legais. Cabe citar, em resumo, como normas transgredidas a própria CF, em seu art. 225, § 1º, inc. VII, a Const. Est. de São Paulo, em seu art. 193, inc. 10 e o Decreto nº 24.645/34, em seus arts. 1.o. e 2.o.,8.o., 10, 12, 14, 15, 16 e 17. Deve ser citado ainda, que os maus tratos e a crueldade com animais constituem, atualmente, tipo penal, consoante o que dispõe a L.C.P., em seu art. 64 e mais recentemente, a Lei 9.605/98, que em seu art. 32, alçou-os à categoria de crime.
Agradece-se à fonte das informações legais aqui prestadas, citando-a explicitamente: a O.N.G. - PROESP – Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies e ao advogado Rogério Zarattini Chebab, que promoveram brilhante, exaustivo e oportuno trabalho em sede de ACP, na Comarca de Campinas.
Sugere-se aos Vereadores, portanto e ao menos, que procedam à leitura das normas arroladas e também da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, oriunda da Assembléia da UNESCO, ocorrida em Bruxelas, em 1978 (fonte: PROESP).
No mérito há ainda que se acrescentar: os métodos utilizados para possibilitar a manutenção e adestramento dos animais são cruéis, o que se encontra fielmente retratado por fotografias e imagens eletrônicas nauseantes, que abundam na Internet.
Desculpe-me a franqueza, mas bichos seremos nós, se permitirmos que o sofrimento de animais indefesos, continue servindo para o lucro de muito poucos e a pseudo-alegria de seus espectadores. Frise-se que o talento, aliado ao respeito e compreensão, permite diversas outras formas de entretenimento.
É ato de civismo proibir abusos, quaisquer que sejam eles.
Àqueles que não se interessam por problemas que parecem dos outros e que nunca são de todos, ou seja, nossos, esclarece este cidadão que não possui animais, nem ao menos um cachorrinho.
Quem não consegue respeitar nem ao menos um animal, jamais conseguirá entender o valor de seus semelhantes e muito menos, pretender representá-los.
O que remete, finalmente, para um simples procedimento de escolha dos nobres Vereadores, em simplesmente apoiar e aprovar o PL 862/2003.
Requer, portanto, a cidadania de São Paulo, o bom senso e a dignidade de v. consciências.

PELA APROVAÇÃO DO PL 862/2003.