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quinta-feira, outubro 20, 2005

Os "mendigos do orçamento"

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Como controlar as massas?
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Na história recente, são abundantes as mais diversas teses, proferidas tanto pelos pensadores da direita, quanto pelos da esquerda. Hoje, absortos e capturados, quase hipnotizados por interesses econômicos, o pensamento se tornou uno. Ao invés de terem a ciência econômica como um "instrumento", tornaram-na a "finalidade".
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"Orçamentaram as oportunidades e escolhas da população".
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Conseguiram estabilizar a sua miséria, para que se conforme e "não invente, tente ou faça algo diferente".
Contabilizaram sua esperança.
Conseguiram fazer com que o talento e a iniciativa possam valer apenas depois de pagar as contas, como se estes pudessem ou devessem depender delas.
Transformaram o trabalho em refém da estabilidade do sistema e da prosperidade de muito poucos. Países inteiros a juros.
Distorceram a finalidade do "lucro" para justificar qualquer arroubo.
Relativizaram a lei e socializaram, economicamente, o discurso.
No social, é certo que puseram algumas migalhas, para aplacar a fome dos que não tem nem filão de pão e que, obviamente, jamais poderão se fartar também, como poucos, com suflê de camarão.
Uns míseros trocados para o inconveniente 'assistencialismo', que faz com que os assistidos possam se alimentar, para não incomodar. Para que estudar?
Modernizaram o desenvolvimento, para que este economicamente não inove ou rompa com o orçamento, que paga placê de lucros para poucos, com o sacríficio de todos os outros.
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Criaram uma nova categoria humana, "os mendigos do orçamento", aqueles que não devem ter talento ou iniciativa. Que precisam viver "harmonicamente" no sistema, existindo apenas para dividir o seu tempo, esforço, parcas chances e recursos, para manter sistematicamente as vantagens de outros, das usuais oligarquias dominantes.
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E o pior, os "mendigos do orçamento" não devem pensar, criar ou contestar. Devem apenas compor a massa, sem nome, sem direitos e sem futuro. Sem as principais características que compõem o que costumavam chamar de "dignidade humana". Passando o homem a viver por mais uma vez como no passado, apenas a partir de suas necessidades primárias, acrescidas de uma moderna, ainda que desprezível, "cota de consumo", que lhe outorga a "vantagem" de ser economicamente educado e controlado, portanto, viável.
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Afinal, "mendigo do orçamento" que se preze, precisa pagar sua condução, comer seu sanduíche, assistir a novela das 8 e pagar todas as suas continhas. Poderá até escolher, uma vez por mês, entre ir ao cinema, comprar um livro ou jantar fora com a família.
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Desculpe pela franca ironia, mas há ainda um grande momento para o "mendigo do orçamento", que é aquele em que, depois de ter cumprido todas as suas pífias tarefas existenciais, ainda consegue "puxar o saco" de alguém, para agradar ao sistema que miseravelmente lhe remunera e que, eficientemente, lhe controla.
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É a mais completa escravidão das massas, aos tempos modernos. E é uma pena que os novéis mendigos do orçamento aceitem e até apóiem tal condição, que também os transforma, ao mesmo tempo, infelizmente, em meros idiotas.