segunda-feira, setembro 26, 2005

Frase do dileto amigo de Brasilia - Dr. Hemílio Nápoli Gonçalves - um terapeuta quiropraxista que ama o Brasil e também tenta "corrigir a sua postura". A frase é muito conveniente após o texto da Myrza:
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"BRASIL: PRENDÊ-LO OU LIBERTÁ-LO ? "
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por Hemílio Nápoli Gonçalves

"PRECISO SER PRESA" - por Myrza Guimarães, de BH

A cidadania brasileira já não suporta mais. Transcrevo, a seguir, o texto da cidadã Myrza Guimarães - uma brasileira que dá vazão à sua indignação. Que tenta fazer algo pelo Brasil.
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"Preciso ser presa"
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Parecia um aviso.
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Eu, que me recuso terminantemente a assistir TV aos domingos - obviamente pela total falta de qualidade da programação - fui impelida por um motivo talvez divino.
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E pasmem ! Logo ao ligar a televisão, me deparei com a solução dos meus problemas financeiros.
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Uma matéria no “Programa Legal”, mostrava uma penitenciária em Goiânia, onde os presos fazem cursos de qualificação, TRABALHAM e RECEBEM pelo trabalho. O dinheiro que ganham é depositado em uma poupança e a cada três dias trabalhados, decresce um do total da pena.
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Eu, com 51 anos e há 30 na área de informática, se quiser me reciclar, tenho de pagar meus cursos, nem sempre de boa qualidade. E nada disso garante que eu consiga um emprego, coisa aliás IMPOSSÍVEL na minha idade.
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A solução era óbvia : eu PRECISAVA MUITO ir para aquela penitenciária.
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Além de garantir trabalho e salário, ficaria livre de contas de água, luz, IPVA, IPTU e a famigerada “compra do mês”, pois dessa parte o governo cuidaria para mim.
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Mandei vários e-mails, para o Gugu, Hebe, Jô Soares, etc. Não obtive sequer uma resposta automática.
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E a pergunta persiste : preciso matar alguém ou basta uma tentativa de assalto a banco ?
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Myrza Guimarães
Belo Horizonte – Minas Gerais
myrza@terra.com.br

sexta-feira, setembro 23, 2005

Atual Ministro do STF condenado em 1.o. grau, em Ação Cidadã

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Eros Roberto Grau, atual Ministro do STF, acaba de ser condenado, juntamente com outros requeridos, por sentença proferida na 7.ª Vara da Fazenda Pública do Estado de São Paulo.
A condenação, ainda de 1.º grau, a que cabe recurso, se deu em sede de Ação Popular movida em 2.002, pelo cidadão Samir Achôa contra o Metrô e outros.
A sentença de 38 laudas julgou parcialmente procedente a ação cidadã, para reconhecer a nulidade de alguns contratos lesivos ao erário público e condenar o atual Ministro e parte dos demais requeridos a indenizar ao Metrô o prejuízo sofrido, de forma solidária, em decorrência dos Contratos dos quais participaram e que foram declarados nulos.
(Ação Popular 1.407/02)
Este cidadão brasileiro se sente, por vezes, "um americano em uma colônia de ingleses".
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Quer mudanças e corajosamente se pronuncia, em meio a um regime inglês, que não deseja qualquer transformação e imagina estar tudo ótimo, sob controle.
Num país que poucos lêem , que quando lêem não entendem e que quando entendem, não se interessam ou fazem algo a respeito, é natural que os problemas de ontem sejam os mesmos de amanhã.
Este blog reúne política, economia e direito, pelo bem da sociedade.
Ora, para o que mais existem?
Somente no Brasil, é exigida "legitimidade" para postular que autoridades cumpram suas funções de "ofício" e respeitem, e façam respeitar, a lei, especialmente em esfera difusa e coletiva.

O Universo das Frases

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Frases tem missões.
Podem retratar o presente e também demarcar o futuro.
É possível que seus temas se repitam, num plágio do subconsciente cativado, inebriado.
São extremamente úteis e versáteis. Preenchem rapidamente o silêncio.
De lembrança instantânea, podem disfarçar a ignorância. E também aparentar cultura.
Refletem tanto um momento, quanto algo mais profundo.
Por vezes são um grito de independência do sentido, em detrimento da prolixidade.
Bem pinçadas, podem dar novos rumos à compreensão, envolvendo o leitor.
Dando enfoques inéditos, podem significar muito mais que um romance.
São rápidas e satisfazem. Atenuam a depressão. Divertem. Inspiram.
São um hino de poucas notas, de melodia cativante.
Um ode à filosofia.
No Brasil atual, o conforto da classe média se resume ao tripé “trabalho, comida e descanso”. Trabalha para comer e dormir, dorme para comer e trabalhar e come, para trabalhar e dormir.

quinta-feira, setembro 22, 2005

No Brasil, a sociedade é o pior cliente para a advocacia. Não tem interesse, não compreende, não participa e não tem como pagar honorários.
E infelizmente, a sociedade brasileira é exatamente quem mais precisa dos mais combativos e preparados serviços jurídicos. É uma pena.

Na dúvida, a Cidadania deve notificar a todos.

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O MOVIMENTO “LIXÃO + 1 , NÃO” que realizou, no último sábado 17/09, uma caminhada cívica contra a instalação de um novo Aterro Sanitário na região de Perus/SP (noticiado por este Blog em 19/09), está dando uma verdadeira aula de participação cidadã.
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O Movimento acaba de notificar o Prefeito do Município de São Paulo, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a Secretaria Municipal de Planejamento, a Secretaria Municipal de Serviços, a Sub-Prefeitura de Perus, a Câmara Municipal de São Paulo, o Tribunal de Contas do Município de São Paulo e a Cetesb, para que tomem providências definitivas, dentro de suas competências respectivas, contra a instalação do nefasto, ilegal e indesejado Aterro Sanitário na região de Perus.
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Em razão de ser comum a alegação de algumas autoridades que alguns assuntos são da competência de outras instituições, o Movimento notificou a todas as autoridades encarregadas “de ofício” pelo tema, sob pena de responsabilização pessoal de cada uma.
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Para garantir a eficiência de seu pleito, justo e democrático, o Movimento também deu ciência da notificação a 3 (três) departamentos do Ministério Público do Estado de São Paulo, especificamente o da Cidadania, o do Meio-Ambiente e o de Urbanismo.
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A notificação deve servir de exemplo para a Sociedade brasileira, já que justificativas políticas não devem bastar para calar a população ou relativizar os seus direitos.
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Se a moda da cobrança “homem a homem” pegar, uma estratégia cidadã para a qual se torce, é possível que outros temas ainda mais polêmicos (ex: precatórios, telefonia e abusos bancários) venham a receber um trato mais adequado das autoridades brasileiras, que infelizmente somente respeitam e temem a eventualidade do escândalo e a ocorrência da punição.

Uma verdade cidadã

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Excelente o artigo do Deputado Federal Ricardo Izar publicado hoje 22/09, na coluna Tendências/Debates da Folha de São Paulo.
O artigo é intitulado "O Conselho de Ética e a impunidade " e merece elogios.
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Alguns de seus trechos:
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... Se cassarmos dezenas de deputados, o que, se for o caso, é um imperativo moral e um compromisso deste conselho, o problema não vai se resolver. A corrupção mesma, substantiva, em toda a sua expressão, amplitude e implicações, grassa de fato é no Poder Executivo, no governo federal, nos governos dos Estados e dos municípios, em seus órgãos da administração direta, nas suas estatais, autarquias, sociedades de economia mista. É a chamada corrupção sistêmica, estrutural, que asfixia a sociedade brasileira desde que o Brasil foi descoberto.
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... Portanto devemos focar a nossa atenção é nas empresas que recolhem lixo nos municípios, nas concessionárias de serviços públicos da União, Estados e municípios, nas grandes empreiteiras de obras públicas, nos fundos de pensão, nos bancos oficiais, nos hospitais públicos, nos contratos de publicidade, nos órgãos públicos com muito dinheiro em seus orçamentos como o INSS e os ministérios dos Transportes e da Saúde -o rol é imenso... São milhares e milhares de fontes potenciais para extorquir o dinheiro público. Essas fontes vêm sendo exploradas com maestria complacente, entra e sai ano, entra e sai governo, desde sempre, faz parte de nossa cultura ancestral.
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... Há que se repensar o Brasil.

Políticos que não lêem e-mails.

A esmagadora maioria dos políticos não tem o hábito de ler ou mesmo consultar seus e-mails, o que provavelmente também não deve ser feito por suas assessorias.
Esta é única impressão que fica, já que este cidadão usualmente recebe reclamações de compatrícios que não recebem qualquer resposta ou contato a partir de seus e-mails.
Fica a dúvida se tais políticos seriam apenas ineficientes ou pior, se seriam indolentes.
De qualquer maneira, o desprezo do mais eficiente mecanismo de comunicação atual (a internet) e dos próprios eleitores, em última análise, demonstra o evidente despreparo de alguns homens que se pretendem públicos.
A cidadania sugere que a mídia e as ONGs acompanhem e noticiem a indigitada conduta.
Ser cidadão não significa somente reclamar,
mas sim participar, sugerir e cobrar.

Planilhas do Poder Judiciário

As planilhas do Poder Judiciário mapeiam e evidenciam milhões de problemas, de resultados. Alerta-se: Por mais planilhas que façam, caso não sejam corajosamente enfrentadas as causas, os resultados tendem a se repetir. É uma lei física: causa e efeito.
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Caso a lei fosse incentivada e respeitada em seu caráter difuso e coletivo, não haveria milhões de processos adentrando anualmente no Poder Judiciário, visando a solução de pendengas privadas.
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O Estado brasileiro e não mais que uma dúzia de partes devem ser responsáveis por mais de 80% dos litígios que tramitam no Poder Judiciário. Em qualquer país sério, em que há Governo de verdade, estas partes seriam chamadas na 'chincha', já que são as suas práticas, contratos e abusos que forçam os brasileiros a correr para onde resta, a Justiça.
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Embora a súmula vinculante aparente ser uma das únicas soluções imediatas, ela é torpe para a proteção efetiva da Sociedade. Ela pode atender ao Governo e ao Poder Judiciário, mas é nefasta para o povo e os advogados.
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As lides e decisões judiciais não podem prescindir da análise individual atenta, em razão da Súmula vinculante. Decisões não podem ser proferidas em escala industrial. Quem desejar linhas de produção, que monte uma fábrica de parafusos.
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Será que aqueles que pretendem a reforma do Judiciário conhecem as análises por curvas ABC? Caso conheçam, é melhor que procurem corrigir e punir a dúzia de responsáveis pelos 80% acima citados e tenham a dignidade de não culpar os milhões de partes que delas são reféns na Justiça.
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É interessante que sempre que surgem críticas à morosidade do Poder Judiciário, sejam os Magistrados de 1.a. Instância apresentados como sendo grandes responsáveis, em razão de sua juventude, inexperiência, independência e idealismo. Deve este cidadão dizer que prefere o jovem inexperiente idealista a julgar qualquer litígio, do que o antigo experiente dependente do poder, sem amor por qualquer idéia ou causa. Enquanto o jovem e atencioso Juiz é a mais puro retrato da independência e qualidade da prestação jurisdicional, o arguto tende ao corporativismo incívico, protegendo o Poder em detrimento do Estado.
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Ousa a cidadania dizer: a lei encontra a justiça através do Juiz idealista e independente.
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Para o bem do Poder Judiciário, é uma obviedade que devem ser reformadas as leis processuais, que seja desnecessário o papel e extinta a burocracia. É também 'acaciano' que tais providências devam ser radicais e civicamente encetadas, privilegiando os direitos materiais e o bem de todos - coletivo e difuso, para que não mais se repitam os habituais erros legislativos brasileiros, que sempre privilegiaram a proteção a direitos privados, que são exatamente os que terminam por congestionar o Poder Judiciário. Não são necessárias planilhas para tais conclusões. Mas será que tais mudanças interessam a alguém que detém o poder?
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Muito do que este cidadão diz não é novidade. Disseram antes Maquiavel e Rosseau, dentre outros.
Ontem a noite, tive o prazer de reencontrar o compatriota José Egreja. O Zé foi um combativo Deputado Federal constituinte e deve estar atualmente com mais de 80, mas aparenta toda a jovialidade e o entusiasmo dos 50. Em meio a nossas discussões cívicas, narrou os vários esforços que empreendeu na defesa do setor agrícola nacional, que até hoje sofre com as mesmas mazelas de então, entregando o seu melhor quinhão para o governo e os bancos.
É triste ver o nosso país, com tamanhas dimensões e riquezas naturais, ter tão poucos que consigam compreender a importância de se proteger e incentivar o setor agrícola nacional.
Num país em que poucos parecem se importar, a cidadania brasileira se importa e recomenda:
Não se pode permitir que se transfira a riqueza do campo para os balcões dos juros. É um garrote que estanca a escala produtiva, em troca da remuneração e lucro de muito poucos. A produção do campo deve gerar resultados para o próprio setor, base do crescimento nacional.

quarta-feira, setembro 21, 2005

MANIFESTO PELA ÉTICA - na íntegra

Publico na íntegra a corajosa iniciativa de 60 magistrados gaúchos, intitulado "Manifesto pela ética".
O manifesto tem circulado na Internet e foi divulgado na Folha de São Paulo de hoje 21/09, em matéria assinada pelo Jornalista Frederico Vasconcelos (também autor do livro "Juízes no banco dos réus"):
O manifesto, encabeçado pelo Juiz Newton Fabrício, destaca-se corajosamente da paisagem e orgulha a cidadania brasileira.
Demonstra que muitos Magistrados merecem ser chamados de "Excelência" não por seus títulos, mas pelo coração que possuem.
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Na íntegra...
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Manifesto pela Ética

“A desunião em um edifício é ruína. Em um navio é naufrágio. Em um Exército é derrota…E os mais fortes muros de uma nação não são os de pedras ligadas, mas os de corações unidos…” (Padre Antônio Vieira, no longínquo Século XVII…)
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Os Magistrados que ora firmam o presente Manifesto pela Ética vêm expressar à Nação brasileira o que segue:
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1. a cidadania espera dos homens públicos do Brasil que retomem o norte da Ética e da responsabilidade no trato da coisa pública, independentemente do partido que esteja no Poder, eis que, tanto na época do Regime Militar, quanto na Democracia - e, nesta, tanto em partidos de direita como de esquerda -, a corrupção na política se configurou de forma grave e ostensiva, afrontando a imagem brasileira diante das demais nações.
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2. Não aceitamos a omissão neste momento grave da vida nacional; é necessário ecoar o clamor da cidadania em prol da ética, da decência, da lisura, da correção e da honestidade, sob pena de comprometermos, de forma grave, o futuro das próximas gerações, que precisam de um exemplo digno e marcante, para que o triste quadro que hoje se apresenta perante a Nação não mais ocorra.
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3. De outra parte, é necessário salientar que o descompromisso ético, hoje configurado na cúpula dos Poderes da República, não pode ser tido como algo generalizado.Não é.Não abarca a todos – ao contrário, é importante ressaltar.Não atinge a base da Magistratura (de Primeiro e de Segundo Graus), por exemplo, que não aceita que o Presidente do Supremo Tribunal Federal, distanciando-se da sua condição de Magistrado, efetue considerações acerca da “ingovernabilidade” do País, caso se configure a hipótese constitucional do impeachment (se será, ou não, o caso, o futuro dirá).Não constitui função do Presidente do Supremo Tribunal Federal fazer considerações de índole política.Não faz qualquer bem à Nação manifestar opiniões dessa natureza.Sua função, como Presidente do Supremo Tribunal Federal, distancia-se de abordagens ou considerações sobre a realidade da política brasileira, notadamente quando poderá ter de se manifestar, mais adiante, jurisdicionalmente, em eventual processo.
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4. Da mesma forma, não faz bem ao Poder Judiciário, à Magistratura e à cidadania, omitir-se de afastar, de modo definitivo, as conjeturas e ilações da mídia sobre eventual candidatura sua à Presidência da República.A razão é singela: a sua condição de Ministro do Supremo Tribunal Federal o coloca como membro da Magistratura – ainda que por indicação política de quem detinha o Poder, à época -; logo, além de ser exigível do mesmo que se porte com a ética, isenção e imparcialidade próprias do Poder Judiciário, está impedido, pela Constituição da República (art. 95, parágrafo único, inciso III, combinado com o art. 14, parágrafo 3º, inciso V) , de disputar qualquer cargo eletivo junto aos Poderes Executivo e Legislativo.Assim, o seu silêncio diante das reiteradas notícias da mídia brasileira no sentido de que seria candidato à Presidência da República constitui um escárnio e um acinte à Constituição da República do Brasil.
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5. É preciso um basta: ou o Presidente do Supremo Tribunal Federal afasta, em definitivo, essa possibilidade, ou renuncia à condição de integrante do Poder Judiciário.A Magistratura não aceitará calada, inerte, omissa e amorfa a continuidade dessa conduta.É exigível de todos os que integram a Magistratura – e também de quem a integra por indicação política, não por concurso público – que se conduzam com a Ética, com os princípios e dentro dos limites que a Constituição brasileira estabelece para o Poder Judiciário.
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6. Ao exigirmos, publicamente, do Presidente do Supremo Tribunal Federal – autoridade máxima do Poder Judiciário – que se atenha aos limites éticos da Magistratura e às regras da Constituição da República pensamos estar dando o exemplo para que a cidadania brasileira faça o mesmo em relação à cúpula dos demais Poderes da República.
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7. Ao finalizarmos, esperamos que este gesto ecoe, em todos os recantos do País, como um brado de esperança pelo resgate da nossa dignidade como Nação.E que os cidadãos e cidadãs de bem da terra brasileira se unam em torno deste ideal.Em 20 de setembro de 2005.
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Newton Fabrício – Juiz de Direito/RS
Ricardo Luiz da Costa Tjader – Juiz de Direito/RS
João Pedro Cavalli Júnior – Juiz de Direito/RS
Andréa Marodin Ferreira Hofmeister – Juíza de Direito/RS
Dálvio Leite Dias Teixeira – Desembargador/RS
Adriana da Silva Ribeiro – Juíza de Direito/RS
Rafael Pagnon Cunha – Juiz de Direito/RS
Amilton Bueno de Carvalho – Desembargador/RS
Aramis Nassif – Desembargador/RS
Régis Adil Bortolini – Juiz de Direito/RS
Sílvio Luís Algarve – Juiz de Direito/RS
Eugênio Facchini Neto – Juiz de Direito/RS
André Luís de Moraes Pinto – Juiz de Direito/RS
Luís Christiano Enger Aires – Juiz de Direito/RS
Henrique Osvaldo Poeta Roenick – Desembargador/RS
José Domingues Guimarães Ribeiro – Desembargador/RS (aposentado)
Eliseu Gomes Torres – Desembargador/RS (aposentado)
Rui Portanova – Desembargador/RS
Franklin de Oliveira Netto – Juiz de Direito/RS
Ilton Carlos Dellandréa – Desembargador/RS (aposentado)
Giovanni Conti – Juiz de Direito/RS
Dalmir Franklin de Oliveira Júnior – Juiz de Direito/RS
Milene Fróes Rodrigues Dal Bó – Juíza de Direito/RS
Ulderico Cecatto – Desembargador/RS (aposentado)
Marilene Bonzanini Bernardi – Desembargadora/RS
Orlando Faccini Neto – Juiz de Direito/RS
Luciane Marcon Tomazelli – Juíza de Direito/RS
Osvaldo Peruffo – Desembargador/RS (aposentado)
Diógenes Vicente Hassan Ribeiro – Juiz de Direito/RS
Maurício Ramires – Juiz de Direito/RS
Daniel André Kholer Berthold – Juiz de Direito/RS
Ricardo Arteche Hamilton – Juiz de Direito/RS
Rodrigo de Azevedo Bortoli – Juiz de Direito/RS
Fernando Vieira dos Santos – Juiz de Direito/RS
Nereu José Giacomolli – Desembargador/RS
André Vorraber Costa – Juiz de Direito/RS
José Antônio Daltoé Cezar - Juiz de Direito/RS
Leandro Raul Klippel - Juiz de Direito/RS
Taís Culau de Barros - Juíza de Direito/RS
Augusto Otávio Stern – Desembargador/RS (aposentado)
Sérgio Gischkow Pereira – Desembargador/RS (aposentado)
Humberto Moglia Dutra – Juiz de Direito/RS
Luís Antônio Saud Teles – Juiz de Direito/RS
Romani Terezinha Bortolas Dalcin – Juíza de Direito/RS
José Darci Pereira Soares – Juiz de Direito/RS (aposentado)
Luís Gustavo Zanella Piccinin – Juiz de Direito/RS
Celso S. Rodriguez – Juiz de Direito (aposentado)
Fábio André Koff – Juiz de Direito (aposentado)
João Gilberto Marroni Vitola – Pretor/RS
Gérson Martins da Silva – Juiz de Direito/RS
Lilian Raquel Bozza Pianezzola – Juíza de Direito/RS
Flávio Mendes Rabello – Juiz de Direito/RS
José Luiz Reis de Azambuja – Juiz de Direito/RS
João Batista Arruda Giordano – Juiz de Direito/RS
Sérgio Augustin – Juiz de Direito/RS
João Paulo Bernstein – Juiz de Direito/RS
Ivan Ramon Chemeris – Juiz de Direito/RS (aposentado)
Rosângela Carvalho Menezes – Juíza de Direito/RS
Liége Puricelli Pires – Juíza de Direito/RS
Léo Pietrowski – Juiz de Direito/RS
É impressionante a quantidade e a qualidade das informações do blog do César Maia.
Em tempo real: números, notícias, denúncias e análises.
Política nacional e internacional, economia e justiça.
Haja informação de qualidade ...
Nossos parabéns.

Críticas ao Poder Judiciário - Um esclarecimento cidadão

Este cidadão por vezes é imcompreendido por ser um crítico severo, por vezes irônico, do Poder Judiciário e de todos os órgãos que o compõem.
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Esclareça-se, primeiramente, que a crítica é construtiva e que somente a partir dela, poderão ser implementadas mudanças que efetivamente aproximem o mais nobre poder da população.
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Em mesmo sentido, devem ser perdoadas a dramatização, o eventual exagero e a até a ironia cidadã, pois são figuras de linguagem que realmente inspiram a reflexão, por "bater" no estômago do leitor, que é obrigado a sair de sua "zona de conforto".
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Sinceramente, este cidadão não pode acreditar em um Poder Judiciário, onde a cidadania não possa, de maneira livre e democrática, expor a sua opinião.
Ademais, a cidadania exerce um papel fundamental no país e perante o Poder Judiciário, já que: é democrática e desinteressada, não possui competências ou obrigações de ofício, não precisa de diploma ou estar certa, pode publicar um blog, falar com a Imprensa, propor ações populares, fazer representações, reclamar nas delegacias e nos Ministérios Públicos, reunir outros cidadãos e até usar um megafone, desde que não perturbe a paz.
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Há ainda um papel estratégico da cidadania no Brasil, onde as leis são profusamente feitas para não ter efetividade e podem ser contornadas por "diretrizes políticas" (vide artigo deste cidadão intitulado: "O princípio da Reserva de Capacidade Estatal" - está no blog). Somente a cidadania pode complementar e vencer algumas amarras legais e convenções de várias Instituições brasileiras. O que quer dizer, somente o cidadão pode agir, quando o Ministério Público não pode ou não deve e também, somente o cidadão pode criticar os efeitos da inefetividade da lei e a ineficácia do Poder Judiciário, quando profere suas decisões. Além do que, a cidadania é etérea e não pode ser acusada de contumácia, por não ser parte dos processos e não podendo se submeter a desígnios que tiranicamente venham a ferir seus direitos difusos e coletivos.
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Aliada à imprensa, livre e desinteressada, a cidadania é, portanto, o único instrumento que poderá fazer do Brasil uma grande nação democrática.
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Espera-se que o Poder Judiciário compreenda.

A apuração da corrupção na cidade de São Paulo

Na véspera (06/09) do dia da pátria (7 de setembro), uma data emblemática para qualquer nação, este cidadão apresentou MOÇÃO PELA APURAÇÃO DA CORRUPÇÃO NA CIDADE DE SÃO PAULO.
O pleito cidadão foi encaminhado a milhares de autoridades do país.
O silêncio foi sepulcral, com exceção de um Senador (Romeu Tuma - JT 16/09), alguns parlamentares federais e ONGs que democraticamente se manifestaram a favor.
Informa este cidadão que a referida MOÇÃO foi levada a registro perante o 7.o Cartório de Registro de Títulos e Documentos de São Paulo, onde foi depositada e microfilmada sob n.o. 1424855 na data de 09/09/2005.
Que fique claro: este cidadão assina o que escreve e escreve o que pensa. E registra para que ninguém diga que não assinou e para que não possa negar aquilo que democraticamente pensa e escreveu. Pena que não haja tempo para escrever mais!
Espera este cidadão que o ALERTA REGISTRADO sirva de apoio para nossos políticos de mãos limpas. Também espera a cidadania que o ALERTA inspire os demais a mudar de idéia.
De qualquer maneira, que fique patente: Este cidadão fez sua parte, ALERTOU. Está registrado.
A cidadania não descansa ou se intimida, apenas espera ...
A cada vez que as CPIs chegam perto de elementos concernentes a políticas e políticos da cidade de São Paulo, os "gatos se arrepiam" ...
Este blog se alimenta de sacrifício e abnegação. A indignação é o resultado democrático da indigestão cívica.

Pergunta do dia

Não seria prudente que as autoridades brasileiras checassem as listas da CPI do BANESTADO, anteriormente a escolher novas lideranças?
Este blog tem a honra de informar os seus humildes patrocinadores:
Civismo
Coragem
Persistência
Esforço
e o principal de todos ...
Carinho.
Ah... Que vontade que tenho de ver um capitalismo de verdade no Brasil.
Sem regalias e sem o conforto dos ombros do Rei.

A importância da reforma do SBDC

A reforma do Sistema brasileiro da concorrência é tema do interesse de toda a sociedade brasileira, embora pareça um assunto técnico e distante.
O CADE e a SDE nos últimos anos tomaram decisões relevantes que impactaram aos mercados em geral e a todos os consumidores brasileiros.
É essencial que a sociedade participe ativamente do debate da reforma, em especial as pequenas e médias empresas, que são as que usualmente perdem espaço econômico, sempre que o SBDC decide por aprovar eficiências e concentrações de mercado, sob o argumento de serem supostamente benéficas.
Não se esqueçam os brasileiros que pagam a conta: o SBDC é um grande instrumento a dar ao Brasil "Mercados eficientes por preços justos", ou o contrário.
Em tempos em que a política, incensada pelo melhores pareceres, parece influenciar de maneira pouco transparente, a todas as esferas públicas nacionais, especialmente as que tratam de aspectos regulatórios com impactos privados e, em tempos em que o guloso Governo aprova qualquer intenção que aumente o volume e a a facilidade de arrecadação tributária, é imprescindível que a sociedade brasileira acompanhe a reforma de perto.
Participe, portanto. Acompanhe o PL 5.877/2005.
Para não reclamar depois: das decisões politicas das autoridades, dos impostos que pagarão, da falta de oportunidades para o crescimento das pequenas e médias empresas no Brasil e do preço dos produtos e serviços conseqüentes às chancelas de V. majestade, o governo brasileiro.

terça-feira, setembro 20, 2005

A reforma do Sistema Brasileiro da Concorrência

Acabo de receber e-mail do advogado e colega de OAB/SP, o Dr. Gerardo Figueiredo, sobre a reforma do Sistema Brasileiro da Concorrência.
A correspondência eletrônica do ilustre colega esmiuça o andamento do importante tema:
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"Foi criada a Comissão Especial (CESP) para analisar o Projeto de Lei (PL) 5877/05, de autoria do Poder Executivo, que “estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência e dispõe sobre a prevenção e repressão às infrações contra a ordem econômica e dá outras providências”.
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Objetivo do projeto:
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O projeto visa reestruturar o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC), que será formado pelo CADE e pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE), revogando dispositivos da Lei nº 8.884, de 1994 (Lei de Defesa da Concorrência).
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Composição da CESP:
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A CESP será composta por deputados que integram as Comissões de Defesa do Consumidor (CDC), de Trabalho (CTASP), de Desenvolvimento Econômico (CDEIC), de Finanças e Tributação (CFT) e de Constituição e Justiça (CCJC). Os membros da CESP deverão ser indicados pelos líderes partidários.
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Competências da CESP:
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Caberá a Comissão emitir parecer quanto ao mérito, adequação orçamentária e quanto à constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa da proposição. É importante ressaltar que o relator da CESP poderá emitir um texto substitutivo, que além de alterar a proposta original, poderá incorporar matéria que julgue pertinente.
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Tramitação:
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A CESP terá 40 sessões do plenário da Câmara dos Deputados para emitir e apreciar o parecer do relator ao projeto. Próximos passos: Após indicação dos membros que comporão a CESP, o presidente da Câmara dos Deputados marcará data para instalação da CESP, que deverá eleger o presidente, que indicará o relator, e os 3 vice-presidentes. Após deliberação na CESP, o projeto seguirá ao Plenário da Câmara dos Deputados, onde será analisado pelos deputados. Sendo aprovado, o projeto será remetido ao Senado Federal.
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Depoimentos vazios II

Infelizmente, Toninho da Barcelona deve ter sido amansado.
E muitos devem estar comemorando ...
Mais um capítulo de final feliz para poucos, às custas do povo brasileiro.

Depoimentos vazios: Toninho da Barcelona

Até o momento (12:46) Toninha da Barcelona em seu depoimento na CPI só faltou dizer que operava em Marte, já que não conhece ninguém nem operou para ninguém.
O dinheiro pelo qual foi preso devia ser composto por dólares marcianos.

O cigarro e a covardia das autoridades brasileiras.

Em notícia de pé da folha, no meio do caderno Cotidiano do Jornal Folha de São Paulo (pag. C7), saiu nesta terça-feira 20/09, uma denúncia de que alguns senadores estariam protelando a ratificação de uma convenção das Nações Unidas para controle do tabaco no mundo.
É curioso o enfrentamento público do tabagismo no Brasil. Até parece que fumar faz bem!
Os jornais dificilmente dão notoriedade a um assunto tão grave, os políticos sobem no muro e nossos Tribunais não condenam.
É uma hipocrisia geral! Digna de qualquer republiqueta controlada por lobbies com objetivos mundanos, usualmente "justificados" por elucubrações econômicas que jamais serão comprovadas.
É indiscutível. Fumar faz mal. O cigarro ceifa vidas e destrói a união familiar. A venda de cigarros afeta seriamente à saúde pública, que gasta bilhões para o tratamento de seus doentes. Nenhum imposto "arrecadado" compensa o mal e nenhuma produção de fumo recorde ou exportadora justifica economicamente a "torpeza" de seus efeitos sócio-econômicos.
Destaque-se que as instituções brasileiras estão sendo covardes a enfrentar condignamente o tema, ao condescender com o fumo.
Este cidadão clama pela cidadania brasileira a corajosamente combater o abuso público em sustentar o vício privado.
Pergunta do dia:
Nas próximas eleições, em quais palanques subirá Roberto Jefferson?
Enquanto a sociedade suportar que autoridades e réus jantem juntos no Brasil, este país não terá ética ou respeito por seu povo.

segunda-feira, setembro 19, 2005

Roberto Jefferson, sempre um pugilista, ainda que nocauteado.

Quem imaginou que Roberto Jefferson "cassado" se calaria ou estaria longe da mídia se enganou.
No programa "Roda Viva"deste domingo, o agora ex-Deputado continuou a apresentar elementos sanguinolentos e tecer críticas vorazes.
Disse, dentre outras, que o "Poder Econômico é quem manda no Brasil desde o Governo Collor" e que "os velhinhos não têm a menor chance no Governo e nas políticas públicas, diante do poder dos Bancos e da Febraban".
E mais, que os "esquemas de corrupção vêm da área dos Fundos, dos Transportes e da Coleta de Lixo". Quando comentou sobre a política econômica, só faltou chamar a todos nós de autistas !
Deve a cidadania se ater ao fato de que Roberto Jefferson deve saber do que está falando, pois foi um oráculo de toda a podridão que está sendo apurada.
Tomara que a população cobre a apuração total das fraudes e não se satisfaça com a punição de meia dúzia de Deputados, que não representam nada perto do que deve estar escondido nas gavetas mais profundas e nos computadores melhor blindados.

A deposição do lixo da cidade de São Paulo - Um problema, no mínimo, estadual.

Considerando que acabei de postar sobre o "Movimento Lixão + 1, não!", que combate a instalação de outro lixão na cidade de São Paulo, aproveito o tema para tecer alguns comentários e apresentar sugestões:
a) O volume de lixo produzido atualmente pela megalópole de São Paulo já não pode mais ser tratado como um problema municipal, meramente local. Em qualquer lugar da grande São Paulo que a PMSP deseje depositar resíduos, ocasionará impacto socioambiental com escala estadual, o que implica dizer que o problema é no mínimo do Estado, por obviamente atingir municipios limítrofes.
b) Existia, algum tempo atrás, um protocolo firmado entre a PMSP e a CETESB, que previa a deposição de resíduos em troca do tratamento do chorrume. Embora não se saiba da legalidade de tal "protocolo" e se ainda está em vigor, o documento já demonstrava a necessidade da atuação conjunta dos departamentos municipais e estaduais.
c) Cabe dizer que talvez o ideal seja depositar o lixo em algum lugar distante dos grandes centros urbanos, mas que ao mesmo tempo seja logística e legalmente viável. Devem existir dezenas de locais em cidades próximas, que talvez se interessem e sejam apropriadas para a deposição e o tratamento de resíduos.
d) O tema resíduos e aterros liga-se diretamente às questões de meio-ambiente. Sugere-se às autoridades que busquem o excelente trabalho acadêmico do Prof. Dr. André Lima, intitulado "Zoneamento Ecológico-Econômico e os Direitos Socioambientais". O Prof. André possui enfoques profundos e atualíssimos , é ligado a ONG ISA - Instituto Socioambiental (www.socioambiental.org) e seu extenso trabalho está em fase de publicação.
e) É necessário que o cidadão seja continuamente esclarecido e educado no tocante ao lixo que produz, devendo participar ativamente em sua redução. Embora pareça uma tarefa incômoda e malcheirosa, é uma providência cidadã.
Vejo várias convocações para panelaços e lutos de todos os tipos, em nome do Brasil.
Melhor seria que cada um de nós tivesse a bandeira brasileira em sua porta.
Patriotismo devemos ter todos os dias e não apenas quando precisamos gritar por ele.
Tudo neste blog é grátis.
Fazer o bem não tem preço.
Muitos brasileiros me perguntam:
Como posso fazer?
E eu respondo: Fazendo você também.
Pense nisso.

Caminhada cidadã



No último sábado, 17/09, aproximadamente 1.000 pessoas da região de Perus/SP (Movimento Lixão + 1, não!) realizaram caminhada pacífica contra a instalação de um Lixão na região.

Um abraço da cidadania




No fim da caminhada, a população deu um abraço simbólico na área onde a Prefeitura de São Paulo pretende instalar o polêmico aterro.

Um movimento cidadão - eclético e democrático




A união da cidadania extrapola os partidos políticos e os credos. E a cobrança de responsabilidade das autoridades se faz presente, pois se os problemas são de todos, eles são nossos e não dos outros.

O Brasil não pode parar, apesar do descaso de algumas autoridades.





Palavras de ordem foram proferidas contra o aterro, para alertar ao Prefeito e aos Vereadores de São Paulo, todos ausentes na ocasião ....
... apesar da gravidade da situação: um aterro sem planejamento adequado, sem aprovações prévias, sem audiências públicas e que poderá afetar toda a sua macro-região, atingindo até os municípios vizinhos.

Imagens são melhores do que qualquer discurso




Imagens do local onde prendem instalar o mega-aterro sanitário, com o Parque Anhanguera ao fundo. Será que esta é a maneira da Prefeitura de São Paulo proteger o meio ambiente?
E mais: o mapa da região noroeste de São Paulo, onde arbitrariamente desejam colocar o lixão.

sexta-feira, setembro 16, 2005

O Fundo de Interesses Difusos - um retrato da impunidade no Brasil

Pela Arrecadação "Oficial " do Fundo de Interesses Difusos (vide mensagem abaixo), pode ser medida a efetividade da lei e a eficácia do Poder Judiciário no Brasil, para a reparação dos danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, turístico, paisagístico, por infração à ordem econômica e a outros interesses difusos e coletivos.
Foram arrecadados apenas R$ 363.919,70 a título de CONDENAÇÕES JUDICIAIS (LEI Nº 7.347/85 - Meioambiente) e míseros R$ 1.134.911,07 pelas MULTAS DO ART. 57 DO CDC (LEI Nº 8.078/90). E ainda, por outras CONDENAÇÕES JUDICIAIS (LEI Nº 7.347/85 - Qualquer outro interesse difuso ou coletivo), um montante total (Códigos 10, 11 e 12) de R$ 61.475,80.
Os números são miseravelmente baixos, já que representam o resultado global dos esforços dos Ministérios Públicos do país inteiro em centenas de milhares de ações judiciais que desembocam nos Tribunais Superiores. Contra números, geralmente secam os argumentos.
Nunca é demais lembrar que o Poder Judiciário brasileiro custa em torno de R$ 20 bilhões ao ano.
Num momento em que o Brasil clama pelo fim da improbidade e da impunidade, os números são implacavelmente emblemáticos a demonstrar "empiricamente" o trato que vem sendo dado historicamente pelo Sistema Judicial brasileiro aos anseios de nossa Sociedade.
Como costumam dizer, que a história se repete, a não ser que algo tenha sido modificado, resultado parecido pode ser esperado pelo povo brasileiro, para a recuperação dos valores e para a punição dos eventos descortinados pelas CPIs.
As temidas "pizzas" são, portanto, empírica e logicamente prováveis.

quarta-feira, setembro 14, 2005

Não esperem os brasileiros que alguém faça algo, que eles próprios não pretendem fazer.

domingo, setembro 11, 2005

CNJ - justiça e excepcionalidades em julgamento.

Aos homens de bem:
A todos os que se interessarem por uma justiça igual para todos, pela efetividade da lei, pela diminuição de iniqüidades e protelações no Poder Judiciário e muito mais, comunico ao final, a pauta do CNJ de 13/09/2005, que inclui em seu ítem 5, o julgamento pelo plenário do Pedido de Providências n.o. 20, que se origina de reclamação cívica deste cidadão que, em resumo, se insurgiu contra a teratologia e excepcionalidades do STJ, sempre que o excelso Tribunal impede a execução de sentenças de improbidade administrativa (de 2.o. grau) contra grandes empreiteiras, especialmente as de coleta de lixo e de obras superfaturadas na cidade de São Paulo.
O tema interessa a todos os brasileiros, ao povo e às empresas em geral, que não gozam de iguais privilégios, aos advogados, que não podem obter as mesmas vantagens para seus clientes, aos Ministérios Públicos do país inteiro e até aos Juízes, que após longos e exaustivos processos, não vêm seus esforços e sentenças prosperar e ser executados.
Ressalte-se também que o tema em julgamento no próximo dia 13, trata do combate frontal à improbidade administrativa no Brasil (nenhum assunto é mais atual e ansiado pelo país!) e à defesa e proteção dos direitos difusos e coletivos da sociedade brasileira, que caso fossem respeitados de maneira ostensiva e automática, especialmente pelas autoridades, haveria muito menos processos judiciais privados congestionando o poder judiciário.
Este cidadão informa que na ocasião, se for permitido pelo CNJ, deverá realizar sustentação oral em prol de seu pleito cívico e democrático, pela cidadania brasileira.
Ainda que esteja na Tribuna, humilde e solenemente "só", perante os mais ilustres juristas do país, que compõem o CNJ, não se furtará este cidadão a dizer a verdade em que acredita, pedindo a Deus que ilumine as mentes dos Conselheiros, para que decidam, ao final, dar um novo rumo ao direito no Brasil.
Informa este cidadão, finalmente, que não teme a derrota, já que esta é quem prepara a cidadania a ser, a cada dia mais, consciente dos problemas do país e, unida, a maior fiscalizadora do que pretendem nossas autoridades fazer a respeito.
Por um Brasil melhor, que enfrenta corajosa e democraticamente os seus problemas.
Por um país de todos, por todos e para todos.
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CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA
PAUTA DE JULGAMENTOS - 5ª SESSAO ORDINÁRIA

Por determinação do Presidente do Conselho Nacional de Justiça, Ministro Nelson Jobim, a Secretaria Geral torna pública a relação de assuntos e processos que serão apreciados em sessão plenária a ser realizada no dia 13 de setembro de 2005 (terça-feira), a partir das 14 horas.
...
5. PEDIDO DE PROVIDÊNCIAS Nº 20/2005.
Relator: Conselheiro DOUGLAS RODRIGUES.
Requerente: Antônio Luís Guimarães de Álvares Otero.
Requerido: Superior Tribunal de Justiça – STJ.
Assunto: Observações para aprimoramento do Poder Judiciário.

sexta-feira, setembro 09, 2005

INÉDITO - AGORA É O TCU QUEM DIZ: BACEN DEVE RESPEITAR A LEI.

Este cidadão tem a honra dar ciência pública sobre o recente Acórdão n.º 1.301/2.005, proferido pelo TCU(Tribunal de Contas da União), em sua Sessão Extraordinária de Caráter Reservado, ocorrida em 24/08/2005.

O julgamento mencionado é ainda inédito e pode trazer grande contribuição à pacificação de temas polêmicos (BACEN X CDC , ADIN da CONSIF no STF, sigilo bancário, órgãos de restrição ao crédito, condutas bancárias e etc...), devendo ser de extremo interesse a advogados, associações consumeristas, órgãos de imprensa em geral e a imensa maioria da população e das empresas que consta em todos os tipos de cadastros, mesmo sem saber.

Diga-se, de passagem, que a decisão se origina de um Tribunal com competências peculiares e que possui o BACEN sob sua supervisão, o que a credencia a ser utilizada como paradigma em todas as lides e discussões privadas em que as Instituições Financeiras alegarem, por exemplo, estar agindo em obediência às normas do BACEN, para contornar direitos consumeristas e constitucionais.

O Acórdão do Tribunal de Contas faz relevantes recomendações ao BACEN - Banco Central do Brasil, sugerindo que modifique suas normas relativas à CRC - Central de Riscos de Crédito, para estabelecer que as Instituições financeiras comuniquem a seus clientes de todos os registros negativos feitos no Sistema que lhes forem pertinentes, alertando-os ainda para a possibilidade de eventual retificação. Também recomenda ao BACEN que estabeleça sanções para as instituições financeiras que descumpram as regras relativas à operação do sistema e que estude a possibilidade de informar aos clientes sobre os acessos anteriores ocorridos em seu cadastro e quais as instituições que os realizaram.

As sugestões do inédito Acórdão do TCU privilegiam a "transparência", evidenciam a "harmonia que deve haver entre normas legais e administrativas" e confirmam "indiretamente" a necessidade do respeito pelo BACEN ao CDC, ao dispor explicitamente sobre a obediência à regra constante do art. 43 do diploma consumerista, que é respeitada atualmente apenas pelos órgãos de restrição ao crédito (SERASA, SCPC, EQUIFAX, etc...) e não pelo BACEN, que alega estar operando um "Cadastro Positivo".

Para a consulta ao inteiro teor do documento (relatório + voto), basta acessar o link: https://contas.tcu.gov.br/portaltextual/PesquisaFormulario, escolher Tipo: Acórdãos, N.º do documento : 1301 e Ano: 2005. Na página seguinte, escolher o processo que foi julgado pelo Plenário e cujo Relator foi o Ministro Marcos Vinicios Vilaça. (Caso desejem, requisitem a cópia do julgamento por e-mail a este cidadão, que terá prazer em fornecê-la prontamente, em arquivo PDF).

Cabe destacar que embora o referido Acórdão esteja trazendo grande contribuição ao amparo de vários direitos constitucionais e consumeristas, ao abordar o funcionamento da CRC/BACEN, o mesmo deverá, ainda assim, receber recurso parcial, já que o decisum deixou de analisar diversas outras matérias diretamente relacionadas que compunham a mesma representação, que foi feita por este solitário e combativo cidadão brasileiro ao TCU, no longínquo ano de 2.003.

A título de curiosidade cabe finalmente informar que, dentre os temas incompreendidos pelos nobres Ministros do TCU em seu julgamento, estão os lançamentos da CRC que, por determinação do BACEN, em verdadeiro paradoxo contábil/fiscal e contratual/legal, sem fiscalização ou controle hábil, vêm a integrar as PDDs (provisões para devedores duvidosos) das Instituições financeiras e são utilizados concomitantemente na composição de seus resultados operacionais, o que determina em grande parte o seu recolhimento de impostos e o montante de seus lucros. Obs.: Alguns outros temas correlatos que não foram enfrentados pelo julgamento do TCU são a terceirização de serviços bancários, a quebra de sigilo generalizada, a ausência de fiscalização do BACEN, a remuneração aos bancos do que não lhes pertence e etc... .

Por um Brasil melhor, mais igual, onde todos ganham e não somente os bancos.
Por um país transparente, mais corajoso e verdadeiramente democrático ...
... de todos, por todos e para todos.

Comunicado escrito em 09/09/2005. Autorizada a publicação e a livre divulgação.

ACÓRDÃO 1.301/2005 TCU

terça-feira, setembro 06, 2005

MOÇÃO PELA APURAÇÃO DA CORRUPÇÃO NA CIDADE DE SÃO PAULO

Diante da atual realidade política nacional, propiciada pelas CPIs dos "Bingos", do "Mensalão" e dos "Correios" que estão diariamente nas TVs, nas rádios e na capa de todos os jornais, é indiscutível que o povo brasileiro vem amadurecendo com a crise, participando ativamente na fiscalização dos problemas brasileiros e não tolerando mais qualquer tipo de barganhas (pizzas).

Os resultados são emblemáticos.

A sociedade brasileira finalmente acordou e passou a freqüentar civicamente os palanques, contra a corrupção e pela legalidade. O Presidente está com seu mandato em risco e o legislativo se encontra em profunda depuração. Vários maus brasileiros estão sendo levados ao Banco dos Réus. O que, infelizmente, ainda é pouco, pois nossos políticos mais responsáveis ainda não encontraram a origem do dinheiro, as vantagens dadas a quem deu a dinheirama, as leis e os contratos públicos possibilitados pela pilhagem e, principalmente, as ramificações das fraudes.

A proteger o Presidente que “toca harpa dentre as chamas”, contra-argumentam alguns outrora aguerridos parlamentares, agora indulgentes, e outros fariseus neoliberais, que “o Brasil não pode parar”, “o Brasil precisa de reformas”, “devemos ter cuidado com a economia” e “a CPI tem que ter foco”, para tentar diminuir a crise, abafar a extensão dos escândalos e assim poder convencer a todos, leigos ou crédulos e até aos céticos.

Surpreendentemente, diante de uma verdadeira revanche do bem contra o mau no Brasil, a economia tem prosperado e a democracia se aprimorado como nunca, com as nossas Instituições sendo civicamente passadas a limpo, apesar de todos os aldraveiros e pagãos de plantão.

Em tal sentido, as CPIs têm ineditamente avançado na apuração de seus temas específicos tendo, ao mesmo tempo, levantado uma profusão de documentos e elementos de fraudes, conluios e corrupção, com origem nas mais diversas unidades da Federação, inclusos vários Estados e Municípios.

Dentre estes, destaca-se a cidade de São Paulo pelo número de vezes que vem sendo citada nas CPIs, por poder ser a “origem, base, ramificação e até mesmo a inteligência e a direção” dos mais variados ilícitos político-administrativos recém-descobertos no Brasil, como por exemplo: a concessão de serviços “acertados” na licitação, o “mensalão”, a participação direta de políticos e dirigentes partidários paulistanos, as campanhas políticas e as doações eleitorais não contabilizadas, o “caixa 2” e seus interesses privados nos contratos públicos, as campanhas publicitárias milionárias com o pagamento no exterior e a coincidente ausência das devidas prestações de contas de alguns partidos e candidatos.

Embora não se deseje aqui citar nomes, é indiscutível que muitos documentos e elementos de prova reunidos em Brasília remetem diretamente à cidade de São Paulo, onde se encontrava a sede do principal partido político investigado, os contratos e as operações de maior vulto e a grande maioria dos políticos e dirigentes partidários atualmente acusados de serem os “mentores” das fraudes perpetradas.

Pois bem. Talvez as CPIs do Congresso Nacional, apesar dos imorais foros privilegiados, do eterno sigilo dos maus e dos freqüentes jantares entre o capital e a política, até cheguem a cassar alguns parlamentares, o que é do absoluto interesse cívico, mas é improvável que vá muito além disso e é indiscutível que não apurará, em absoluto, as fraudes localmente implementadas na cidade de São Paulo, que poderá continuar sendo considerada como a origem de “esquemas” e quase conivente com a impunidade, já que hospeda vários dos meliantes integrantes das mais vergonhosas fraudes já desvendadas no Brasil, o que não pode ser aceito, em absoluto, pelo povo paulistano.

Ademais, caso tais fraudes realmente venham a ser comprovadas, o povo de São Paulo é aquele que poderá efetivamente se considerar como roubado e ludibriado, em seu dinheiro e dignidade, diante da inércia e do descaso de nossas autoridades.

Apesar das muitas conexões fraudulentas descobertas pelas CPIs (entre interesses privados escusos, dirigentes partidários, parlamentares e políticas públicas de cunho duvidoso) estarem ironicamente materializadas em posturas e contratos do Poder Público Municipal de São Paulo em “pleno vigor”, as autoridades paulistanas, até o presente momento, não se preocuparam em aproveitar os trabalhos e documentos levantados pelas CPIs, para apurar “localmente” a ilegalidade e imoralidade das concessões firmadas com algumas empresas de lixo e de transportes e dos contratos oriundos de “operações triangulares” com o Poder Público, como das agências de publicidade, de fornecedores de equipamentos e serviços e dos bancos citados nominalmente pelas CPIs.

De tal forma, os políticos paulistanos vêm displicentemente acompanhando as fraudes descobertas em Brasília, como se fossem distantes e alheias, como se eles estivessem em camarotes da platéia e não nas tribunas para as quais foram eleitos e como se os acertos fraudulentos e os contratos garantidos por “butins”, não estivessem sendo custeados direta e indiretamente pelo povo de São Paulo!

Com “cara de paisagem”, têm as autoridades do município ignorado solenemente as inúmeras ramificações fraudulentas desvendadas pelas CPIs, inclusive com documentos, e que podem, pasmem, estar “vigindo” abertamente na cidade de São Paulo, debaixo do nariz de nossas autoridades e para a tristeza, o custeio e a vergonha do povo paulistano.

Considerando que o Poder Judiciário é moroso e extremante influenciável pelo poder político, que o heróico MP depende de provocação e de elementos de prova de difícil obtenção e que a justiça no Brasil somente se torna satisfatória, quando impulsionada pela mídia e cobrada incansavelmente pela sociedade, vem, a cidadania paulistana, portanto, em razão da fremência dos fatos expostos, apresentar sua indignação e o seu requerimento cívico e expresso para a apuração imediata, pelas autoridades paulistanas, de todas as imoralidades e fraudes apontadas pelas CPIs do Congresso Nacional, como sendo oriundas ou ramificadas na cidade de São Paulo.

Em razão das disposições legais vigentes, a apuração ora proposta deverá se dar por uma “CPI da corrupção”, a ser criada e operada pela Câmara Municipal de São Paulo, para investigar e punir rigorosamente a corrupção na cidade de São Paulo, devendo para tanto, se utilizar e se socorrer de todos os elementos e documentos já em poder das CPIs em Brasília.

Nunca houve uma maior chance de se varrer, em definitivo, o lixo da cidade de São Paulo, transportando-o para longe, apagando-o dos computadores e impedindo-se que sejam cobradas tarifas, taxas e juros de empréstimos, consignados pela imoralidade!

É indiscutível que os depoimentos (inclusive confissões) e documentos conseguidos a partir dos esforços das CPIs federais (quebras de sigilos fiscais, telefônicos e bancários), podem ser de extrema valia para a apuração das fraudes de custeio paulistano.

Não pode a cidade de São Paulo, neste momento de reconstrução do civismo nacional, perder a chance de operar harmonicamente, em caráter de colaboração e integração, com as CPIs de Brasília e de aproveitar para si, os tantos elementos de interesse local, exclusivamente paulistano, já levantados pelas comissões federais, que poderão restar solenemente perdidos, em face de suas competências e focos distintos dos interesses da metrópole, que seria a apuração das fraudes que podem estar se dando localmente.

A criação de uma “CPI da corrupção” paulistana poderá, portanto, entrar para a história da Câmara Municipal de São Paulo ao prover exemplos de interesse cívico, coragem política, eficiência administrativa e moralidade pública, para todo o país.

Diga-se que o povo de São Paulo não precisa de qualquer blindagem política ou econômica, nem tampouco a atual gestão da cidade, que se encontra afogada por compromissos financeiros que podem, muito bem, ter sido objeto de fraudes, contratados de maneira imoral e irregular, em franca desvalia da capacidade da PMSP e dos cidadãos paulistanos.

Comente-se que as fraudes na cidade de São Paulo sempre foram apontadas pelas sucessivas gestões da cidade como endêmicas e epidêmicas, jamais tendo sido eficazmente combatidas e vencidas.

O que torna o presente MANIFESTO PELA CRIAÇÃO DA “CPI DA CORRUPÇÃO” NA CIDADE DE SÃO PAULO não somente oportuno, mas imprescindível, merecendo ser acompanhado pela adesão da sociedade civil e das instituições paulistanas em geral, pelo Ministério Público e por todos os homens de bem que efetivamente “desejem trabalhar por uma cidade limpa”, digna de um futuro melhor.

O presente manifesto também vai, provavelmente, de encontro aos anseios da atual gestão do município de São Paulo, já que o Prefeito José Serra, em reunião com seus subprefeitos em 02/02/05, em uma de suas corajosas manifestações bombásticas, declarou: “As pessoas têm medo de fazer as denúncias e assumi-las, têm medo de represálias, porque não confiam que os denunciados serão efetivamente afastados. Isso parece com a Chicago dos anos 30, no que daqui a pouco São Paulo poderia se transformar se for nesse ritmo. Não podemos permitir isso em nome de nada, de nenhuma causa política, de nenhuma acomodação.”

Esta é, enfim, uma ousada proposta cidadã, feita abertamente a todos os políticos e homens públicos de São Paulo, que também será divulgada de maneira democrática e transparente para a sociedade civil em geral e a imprensa paulistana.

É hora das autoridades paulistanas mostrar para o que vieram.
É momento do nosso homem público descer dos palanques, diminuir os discursos, escrever o que pensa e assinar suas conclusões.
É o que deseja a cidadania paulistana e brasileira, que não pode mais ter vergonha de seu civismo ou medo de uma luta que imagina, apenas imagina, que poderá resultar em nada. Saibam os brasileiros que, se assim pensassem no passado, três dezenas de americanos, não haveriam hoje os Estados Unidos da América.

Por uma São Paulo melhor, de todos, por todos e para todos.

PELA CRIAÇÃO, PELA CÂMARA MUNICIPAL, DA “CPI DA CORRUPÇÃO” NA CIDADE DE SÃO PAULO.

Moção escrita em 05/09/2005. Autorizada a publicação e a divulgação.
A adesão depende da consciência de cada um.